Cristãos devem dar à política status autenticamente humano
Os cristãos devem levar a sério a questão política, com a qual estão chamados a contribuir com os princípios e valores da Doutrina Social da Igreja, afirmou o cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, durante a apresentação das conclusões do Seminário Internacional «A política, forma exigente de caridade», celebrado nos dias 20 e 21 de junho no Vaticano.
«A política é uma questão séria para um cristão», afirmou, pois é «um espaço essencial e um instrumento fundamental para construir uma sociedade digna do homem».
O purpurado alertou contra as duas tentações que devem ser superadas: o messianismo, por um lado, e a rejeição da política como uma realidade negativa, por outro.
Frente a uma posição, hoje cada vez mais minoritária, de considerar a política como o «tudo», a tendência hoje é, segundo o cardeal, «algo do qual é melhor manter-se afastado», como o «âmbito onde floresce o cinismo, a corrupção, o poder demoníaco», posição esta última hoje mais difundida, e à qual os cristãos devem responder.
Por outro lado, os cristãos também estão chamados a «rejeitar toda forma de totalitarismo e de messianismo político que designam à política a solução de todos os problemas humanos, ou seja, que a política é tudo».
«O cristão está chamado a dar à política um status autenticamente humano, libertando-a constantemente de ilusões messiânicas e recuperando seu papel fundamental das desilusões que a circundam», explicou.
É necessário, portanto, estabelecer uma «relação equilibrada com a política», purificando-a e enriquecendo a «razão política».
Verdade e autoridade
O cardeal Renato Martino explicou que a política, e mais a partir da globalização, tem hoje de enfrentar duas questões, «infelizmente ignoradas há muito tempo, com grave dano», e são a questão da verdade e a questão da autoridade.
A reflexão política não costuma considerar estas questões, «a primeira por estar muito comprometida com uma época de empenho metafísico, e a segunda por ser pouco adaptável a uma sociedade caracterizada pelas ‘opções’ de vida».
Contudo, hoje mais que nunca é necessário voltar a propor ambos os princípios, afirma o cardeal Martino.
«A questão da verdade se converterá em cada vez mais relevante no futuro próximo, pela demanda dramática de sentido que a tecnologia nos faz», especialmente «no âmbito político, onde existe o risco da tecnocracia; no âmbito da manipulação da vida, na qual se confia cegamente na biotecnologia; e no âmbito da comunicação, remodelado e tocado pela tecnologia informática», capaz de produzir «mundos virtuais».
Tudo isso, afirma, «abre a porta a formas inéditas de serviço do homem ao homem».
Com relação à questão da autoridade, será também relevante no futuro, devido «às exigências cada vez mais fortes de governo e de guia que nascem da fragmentação originada pelo aumento das liberdades».
Esta autoridade, acrescenta, deverá ser «pensada e articulada de um modo novo», mais «horizontal e flexível» e com maior coerência com o princípio de subsidiariedade.
«É necessário dar novo impulso e esperança à política», acrescentou o purpurado. «É necessária uma política que coloque a pessoa humana no centro, respeitando seus direitos fundamentais, especialmente o da vida; uma política que sirva ao bem comum, inspirada em um humanismo integral e solidário, que seja subsidiária dos corpos sociais intermediários, especialmente da família.»
«É necessária uma política que se detenha quando encontra valores anteriores a ela, que seja transcendente e que seja enriquecida pelos valores da verdade, da justiça, da liberdade e da caridade, especialmente frente aos mais pobres», acrescentou.
Doutrina Social da Igreja
Neste sentido, o cardeal convida os políticos cristãos a conhecerem o «Compêndio da Doutrina Social da Igreja», publicado em 2004 pelo dicastério que ele preside.
«A doutrina social é um ‘instrumento estratégico’ fundamental na tarefa política dos cristãos», pois «vincula a política à caridade, em um envolvimento de conexões – teológicas, espirituais, éticas e culturais – de uma extraordinária e estimulante atualidade», acrescentou.
Desta forma, convidou as Igrejas locais a considerarem a política como uma «prioridade pastoral», que deve ser «iluminada e evangelizada».
«A Igreja não faz política, não faz parte da política, mas deve formar e educar para o trabalho social e político, criando um tesouro a partir de sua Doutrina Social», afirmou o cardeal, e pediu às dioceses que sejam «mais generosas» no campo educativo e formativo, resgatando iniciativas como as Semanas Sociais, e dando maior espaço à formação política nas universidades católicas.
Finalmente, o cardeal voltou a propor a «bem-aventurança dos políticos», elaborada pelo falecido cardeal Nguyen Van Thuan:
«Bem-aventurado o político que é consciente e tem consciência de seu próprio papel;
Bem-aventurado o político do qual se respeita a honra;
Bem-aventurado o político que trabalha sempre pelo bem comum e não por seu próprio bem;
Bem-aventurado o político que é fielmente coerente e respeita as promessas eleitorais;
Bem-aventurado o político que realiza a unidade e, fazendo de Jesus o eixo, defende-a;
Bem-aventurado o político que sabe escutar o povo antes e depois das eleições;
Bem-aventurado o político que não tem medo, em primeiro lugar, da verdade;
Bem-aventurado o político que não tem medo dos meios de comunicação, porque no momento do juízo, deverá prestar contas só a Deus.»
Mais informação: www.justpax.it/ita/home_ita.html
Fonte: Zenit.org
«A política é uma questão séria para um cristão», afirmou, pois é «um espaço essencial e um instrumento fundamental para construir uma sociedade digna do homem».
O purpurado alertou contra as duas tentações que devem ser superadas: o messianismo, por um lado, e a rejeição da política como uma realidade negativa, por outro.
Frente a uma posição, hoje cada vez mais minoritária, de considerar a política como o «tudo», a tendência hoje é, segundo o cardeal, «algo do qual é melhor manter-se afastado», como o «âmbito onde floresce o cinismo, a corrupção, o poder demoníaco», posição esta última hoje mais difundida, e à qual os cristãos devem responder.
Por outro lado, os cristãos também estão chamados a «rejeitar toda forma de totalitarismo e de messianismo político que designam à política a solução de todos os problemas humanos, ou seja, que a política é tudo».
«O cristão está chamado a dar à política um status autenticamente humano, libertando-a constantemente de ilusões messiânicas e recuperando seu papel fundamental das desilusões que a circundam», explicou.
É necessário, portanto, estabelecer uma «relação equilibrada com a política», purificando-a e enriquecendo a «razão política».
Verdade e autoridade
O cardeal Renato Martino explicou que a política, e mais a partir da globalização, tem hoje de enfrentar duas questões, «infelizmente ignoradas há muito tempo, com grave dano», e são a questão da verdade e a questão da autoridade.
A reflexão política não costuma considerar estas questões, «a primeira por estar muito comprometida com uma época de empenho metafísico, e a segunda por ser pouco adaptável a uma sociedade caracterizada pelas ‘opções’ de vida».
Contudo, hoje mais que nunca é necessário voltar a propor ambos os princípios, afirma o cardeal Martino.
«A questão da verdade se converterá em cada vez mais relevante no futuro próximo, pela demanda dramática de sentido que a tecnologia nos faz», especialmente «no âmbito político, onde existe o risco da tecnocracia; no âmbito da manipulação da vida, na qual se confia cegamente na biotecnologia; e no âmbito da comunicação, remodelado e tocado pela tecnologia informática», capaz de produzir «mundos virtuais».
Tudo isso, afirma, «abre a porta a formas inéditas de serviço do homem ao homem».
Com relação à questão da autoridade, será também relevante no futuro, devido «às exigências cada vez mais fortes de governo e de guia que nascem da fragmentação originada pelo aumento das liberdades».
Esta autoridade, acrescenta, deverá ser «pensada e articulada de um modo novo», mais «horizontal e flexível» e com maior coerência com o princípio de subsidiariedade.
«É necessário dar novo impulso e esperança à política», acrescentou o purpurado. «É necessária uma política que coloque a pessoa humana no centro, respeitando seus direitos fundamentais, especialmente o da vida; uma política que sirva ao bem comum, inspirada em um humanismo integral e solidário, que seja subsidiária dos corpos sociais intermediários, especialmente da família.»
«É necessária uma política que se detenha quando encontra valores anteriores a ela, que seja transcendente e que seja enriquecida pelos valores da verdade, da justiça, da liberdade e da caridade, especialmente frente aos mais pobres», acrescentou.
Doutrina Social da Igreja
Neste sentido, o cardeal convida os políticos cristãos a conhecerem o «Compêndio da Doutrina Social da Igreja», publicado em 2004 pelo dicastério que ele preside.
«A doutrina social é um ‘instrumento estratégico’ fundamental na tarefa política dos cristãos», pois «vincula a política à caridade, em um envolvimento de conexões – teológicas, espirituais, éticas e culturais – de uma extraordinária e estimulante atualidade», acrescentou.
Desta forma, convidou as Igrejas locais a considerarem a política como uma «prioridade pastoral», que deve ser «iluminada e evangelizada».
«A Igreja não faz política, não faz parte da política, mas deve formar e educar para o trabalho social e político, criando um tesouro a partir de sua Doutrina Social», afirmou o cardeal, e pediu às dioceses que sejam «mais generosas» no campo educativo e formativo, resgatando iniciativas como as Semanas Sociais, e dando maior espaço à formação política nas universidades católicas.
Finalmente, o cardeal voltou a propor a «bem-aventurança dos políticos», elaborada pelo falecido cardeal Nguyen Van Thuan:
«Bem-aventurado o político que é consciente e tem consciência de seu próprio papel;
Bem-aventurado o político do qual se respeita a honra;
Bem-aventurado o político que trabalha sempre pelo bem comum e não por seu próprio bem;
Bem-aventurado o político que é fielmente coerente e respeita as promessas eleitorais;
Bem-aventurado o político que realiza a unidade e, fazendo de Jesus o eixo, defende-a;
Bem-aventurado o político que sabe escutar o povo antes e depois das eleições;
Bem-aventurado o político que não tem medo, em primeiro lugar, da verdade;
Bem-aventurado o político que não tem medo dos meios de comunicação, porque no momento do juízo, deverá prestar contas só a Deus.»
Mais informação: www.justpax.it/ita/home_ita.html
Fonte: Zenit.org

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