15 Maio 2007

O papa nos caminhos da América Latina


A presença do papa Bento XVI em Aparecida nos mostra um pastor que faz seu o caminho da Igreja na América Latina. Em suas reflexões, inclusive no momento de sua despedida, ele lembrou um dos textos centrais do Concílio Vaticano II, a constituição pastoral "Gaudium et spes", a mesma que começa dizendo: "Os gozos e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e todos os que sofrem, são gozos, esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo" (nº1). O papa participou dos "gozos e esperanças, das penas e das alegrias de seus filhos", nestes momentos desafiadores, pelo que significa "um novo impulso à evangelização, apara que estes povos continuem crescendo e amadurecendo em sua fé". Ele fez também um chamado "aos fiéis deste continente que, em virtude de seu batismo, estão chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo". Uma tarefa imersa "na constante evolução da história" e que, portanto, deve ser sempre renovada e atualizada.
A celebração da V Conferência é uma nova oportunidade para reconhecer a presença de Deus na história deste povo crescente que é o povo latino-americano. Um povo que, apesar das situações de injustiça e crescente pobreza, experimentou e testemunhou o amor primeiro de Deus, fazendo desta experiência uma história de compromisso, comunhão e encontro com Deus nos humildes. (cfr. Benedicto XVI, Deus caritas est, º15)
Nos sentimos convocados e comprometidos com a realidade desafiadora do nosso povo por que seguir a Jesus, nas palavras do Papa, implica "viver em intimidade com Ele, imitar o seu exemplo e dar o testemunho" do Deus de Jesus Cristo: "o Deus da compaixão, do perdão e da reconciliação; o Deus próximo aos pobres e aos sofredores". "O Deus de rosto humano, o Deus conosco", que se "fez pobre para nos enriquecer com sua pobreza (2 Co 8,9)", é quem dá fundamento à opção preferencial pelos pobres, redescobrindo assim a presença implícita dos pobres nos traços sofredores do Cristo que nos questiona e nos interpela (cfr. Documento de Puebla, nº31.)
Os discípulos de Jesus na América descobriram este Deus encarnado no encontro com os irmãos e no compromisso com a busca por condições de vida "mais humanas: livres de ameaças, da fome e de toda forma de violência".
Sem dúvida alguma, o itinerário espiritual do Papa, a visita ao Brasil, ponto de encontro para escutar os clamores de toda a América Latina e o Caribe, nos permite recordar outro trecho de sua carta dirigida aos fiéis de todo o mundo. "Meu próximo é qualquer um que tenha necessidade de mim e a quem eu possa ajudar. Universalizamos o conceito de próximo, mas fazendo com que ele permaneça concreto. Mesmo que se aplique a todos os homens, o amor ao próximo não se reduz a uma atitude genérica e abstrata, pouco exigente de si mesma, mas sim requere meu compromisso prático aqui e agora", (Bento XVI, Deus caritas, est nº15)

Fonte: Adital
Foto: Giorgio Sinestri