18 Maio 2007

Uma chance para Bento XVI


Leio os diários e as revistas semanais, ouço cristãos a falar do novo papa, escuto comentários, vejo programas de televisão e, como é natural , percebo que há mais gente falando sobre o que o papa pensa ou vai fazer, do que o próprio papa dizendo o que pensa e o que fará .
É natural que um papa seja mais comentado do que ouvido. Afinal ele é uma pessoa notória em função do cargo que ocupa diante de bilhões de espectadores e milhões de comentaristas. Milhões falam do papa, mas nem sempre o papa consegue chegar aos milhões que falam dele. Não deixam!
Quando cristãos, e entre eles, milhões de católicos falam do papa, ouvem os que falam do papa e pura e simplesmente não dão ao líder da sua Igreja a chance de lhes falar, estamos diante de uma flagrante injustiça. Afinal, há revistas católicas, jornais, rádio, televisão, há livros, há o L´Osservatore Romano em português, há a Internet e o site do Vaticano, há programas católicos retransmitindo sua palavra, há novos livros nas livrarias e há pelo menos 7 biografias serenas sobre a sua pessoa.
A verdade? Poucos leram os seus livros, poucos lêem suas entrevistas e seus discursos e documentos oficiais, mas, com enorme facilidade ele é taxado de conservador e avesso ao diálogo. Como podem afirmar se nunca leram nada do que ele escreveu? Porque a mídia disse? E quem disse? Que mídia? A partir de qual perspectiva?
Agora em ele vem ao Brasil, onde muita gente ouviu mais coisas contra ele do que a seu favor, porque nos últimos quinze anos nas entrevistas sobre Joseph Ratzinger ele foi pintado como inimigo da liberdade. Ratzinger não estava lá para se defender. E o que ele dizia não era transmitido. Agora fala, mas mesmo assim poucos o lêem ou ouvem. Os que falam dele continuam recebendo mais destaque do que o que ele fala. Quanto leram “Deus Charitas est”, ou “Sacramentum Charitatis?” Ele fala todas as semanas oficialmente. Alguém procura saber o que ele fala? Não é verdade que preferem ouvir quem fala dele, ou até contra ele?
Sugiro aos que nunca leram nada do que ele escreveu que se interessem e procurem biografias dele escritas por gente que o ama e respeita. Além disso, leia seus documentos oficiais.
Já deram muitas chances a quem falou contra ele. Dêem agora alguma chance ao que ele fala. É um dos maiores teólogos do mundo e bem que merece a oportunidade de ser ouvido! Não é assim que se lida com a verdade?


Pe. Zezinho, scj