A prov�ncia dehoniana do Congo, est�
preparando j� um religioso para envi�-lo em miss�o, para Angola. E a
diocese de Butembo-Beni j� tem v�rios sacerdotes atuando fora da
diocese, tanto no continente africano quanto na Europa, como
mission�rios.
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Quais os maiores desafios na miss�o no Congo?
PADRE OSNILDO -
Os desafios na miss�o aqui no Congo s�o,
na verdade muit�ssimos. Vou enumerar alguns; a numera��o n�o � crit�rio
de import�ncia maior ou menor do desafio.
Sem duvida, o tribalismo � um
problema muito s�rio e constitui um obst�culo para a miss�o, pois
separa o povo. H� entre algumas tribos uma rivalidade profunda. N�o
se aceitam mutuamente. Um exemplo concreto, bem recente. Em nossa
par�quia de Nduye, em Mambasa, padre Silvano Ruaro, nosso mission�rio,
apoiou a ida de nandes (outra tribo) que s�o bons trabalhadores
rurais, para cultivarem os campos da regi�o. Foram.. 17 nandes.
Em pouco tempo, j� tinham preparado o terreno e fizeram grandes
planta��es. Uma beleza! Mas os nativos da regi�o, principalmente as
autoridades de Mambsa, provocaram uma rea��o contra o P. Ruaro, querendo
expuls�-lo de Mambasa, junto com os nandes, porque estava
apoiando uma tribo cujos membros, diziam as autoridades, eram do grupo
interahamwe, (para-militares ugandeses). Felizmente um grupo de
cat�licos foi em defesa do padre e dos nandes.
Outra grande dificuldade � a pobreza,
a mis�ria. Eles pensam que a Igreja deve resolver seus problemas
financeiros. Procuram os mission�rios, os padres, para resolverem seus
problemas de dinheiro. Minha experi�ncia pessoal: quando pedem para se
encontrar comigo, pode estar certo, eles v�m para pedir dinheiro, porque
t�m um �petit probl�me�, isto �: n�o tem dinheiro para a
matr�cula, para a prime (mensalidade) dos filhos na escola, n�o
tem dinheiro para comprar rem�dios para a esposa, para os filhos
doentes; n�o t�m dinheiro para o uniforme e para a roupa da fam�lia, n�o
t�m o que comer, etc... N�o se trata de uma minoria.. � a maioria
absoluta de nossa par�quia que vive na mis�ria. Como evangelizar a quem
est� de barriga vazia; a quem n�o pode comprar rem�dio; a quem falta
habita��o digna; a quem n�o tem trabalho?
A desagrega��o da fam�lia. Por
causa dessa situa��o de mis�ria, principalmente, grande parte das
fam�lias de nossa par�quia vive uma crise muito profunda. O pai, sem
emprego, desesperado, procura na bebida, certo al�vio de seu sofrimento,
ou parte para buscar fortuna e dinheiro em outros lugares,
principalmente, nas minas de diamante e ouro; mas, em geral, se esquece
da esposa e dos filhos. Os que ficam, v�o pedir trabalho em todos os
lugares e tamb�m aqui em casa. Mas n�o temos trabalho para todo mundo.
Al�m do mais, a pol�tica financeira desse pais � um desastre. O novo
reajuste do sal�rio m�nimo vai obrigar as poucas ind�strias que existem
, o com�rcio e outras empresas que d�o emprego a muitos, a demitir
funcion�rios, pois n�o ter�o condi��o de pag�-los, no pr�ximo ano. O
sal�rio m�nimo simplesmente vai dobrar para as empresas particulares,
enquanto os funcion�rios do governo continuam ganhando uma mis�ria (
professores, 50 d�lares, quando ganham).
Muitos meninos e meninas s�o �rf�os de
pais que morreram na guerra de seis dias, em 2000. Vivem por a�,
abandonados. Temos dois orfanatos para meninos e meninas, mas n�o s�o
suficientes.
Muit�ssimas fam�lias cat�licas n�o est�o
com sua situa��o matrimonial regularizada na Igreja. N�o se casaram
religiosamente. Se juntaram, simplesmente. Inclusive, h� catequistas
n�o casados dando catequese! � claro que, por causa disso, a
freq��ncia aos sacramentos da confiss�o e da comunh�o � pequena.
Inclusive a freq��ncia � missa dominical deixa a desejar. N�o existe,
em grande parte de nossos fi�is, a consci�ncia do Dia do Senhor.
Vejo com muita preocupa��o a fam�lia
congolesa. Al�m do mais, o problema da poligamia est� presente e �
um obst�culo � unidade do matrim�nio.
N�o posso esquecer de nomear entre os
obst�culos de evangeliza��o, a corrup��o, que reina n�o somente
nas altas esferas da sociedade, mas tamb�m entre o povo simples. Na luta
para sobreviver, sujeitam-se a tudo. Querem tirar proveito de tudo. H�
uma mentalidade de corrup��o, mesmo sendo inconsciente. N�o existe a
gratuidade. N�o fazem nada sem cobrar um dinheirinho, mesmo pequenos
trabalhos na igreja. E quando podem, fazem trapa�as.
Tamb�m a feiti�aria e outras
supersti��es muito arraigadas na tradi��o do povo obstaculizam a
evangeliza��o.
Como em muitos outros lugares, tamb�m
aqui h� um div�rcio muito claro entre as verdades cridas e as
verdades praticadas. Entre o crer e o agir, segundo a cren�a.
O grande desafio �, pois, como
evangelizar um povo que vive nessas situa��es e com essa mentalidade.
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O senhor assumiu o desafio mission�rio depois de muita atividade na
Congrega��o. Como o senhor "encara" isso?
PADRE OSNILDO -
Como j� escrevi, algumas vezes, sempre
queria fazer uma experi�ncia mission�ria. Nunca me foi poss�vel realizar
esse desejo. Depois de trabalhar 40 anos no Brasil e 3, em Roma, vi a
possibilidade de �encarar� uma miss�o al�m-fronteiras e precisamente, na
Republica Democr�tica do Congo. Certamente, n�o foi uma decis�o f�cil.
Mas n�o estou arrependido, mesmo passando por dificuldades, em especial,
a dificuldade de aprender a l�ngua local, pois nossa mem�ria de �idoso�
n�o � mais t�o fiel e �s duras penas se consegue guardar as estranhas
palavras dessa l�ngua, o swahili. Outra grande dificuldade que
sinto � ver a mis�ria desse povo. Sem condi��es imediatas de ajud�-los,
como seria necess�rio. Enquanto escrevo essas linhas, um bom n�mero de
alunos passaram pela minha secretaria, pedindo dinheiro para pagar a
matr�cula escolar. Seus pais est�o mortos, ou est�o no hospital; ou o
pai saiu de casa para ganhar a vida, longe daqui; a m�e vive sozinha
etc. E a ladainha de mis�ria � longa demais.... At� mesmo a diretora
da escola cat�lica de nossa par�quia apresentou-me, agora mesmo, uma
lista de 225 alunos pobres que n�o t�m condi��es de pagar a matr�cula,
pedindo minha ajuda. Haja dinheiro para tudo isso!
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Nossa �ltima Confer�ncia Geral fala da miss�o ad gentes. O Brasil sempre
recebeu mission�rios e agora d� largos passos no envio de mission�rios.
O que ainda pode ser feito nesse sentido?
PADRE OSNILDO -
Na verdade, escreve-se bastante, fala-se
muito sobre miss�o, mas o que falta, a meu ver, � a coragem de sair de
si mesmo, de suas comodidades, de seu �ninho� c�modo e agrad�vel, para
enfrentar o desconhecido, que sempre nos causa medo. Sair do bom, para
enfrentar o desconhecido. Falta isso.
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O que � ser dehoniano mission�rio?
PADRE OSNILDO -
Ser mission�rio dehoniano � ter o cora��o
aberto a Deus para acolher de bra�os abertos, na compaix�o e na
miseric�rdia, o irm�o e a irm� que precisam de nossa ajuda material e
espiritual. Ser mission�rio dehoniano � ter os olhos fixos no Cora��o
transpassado do Cristo e o olhar compassivo sobre o cora��o rasgado pelo
pecado da humanidade.
Ser mission�rio dehoniano � ter a coragem
oblativa de Maria, no fiat da Anuncia��o, e a disposi��o de
caminhar em busca do outro, como Maria no caminho da Visita��o.
Ser mission�rio dehoniano � viver a
intimidade com Cristo, como a samaritana, no po�o de Jac� e ter a
atitude reparadora do bom samaritano, no caminho de Jeric�.
Ser mission�rio dehoniano � esquecer-se,
no abandono total, � vontade do Pai, para se lembrar do Outro e dos
outros, na doa��o generosa de seu ser e agir.
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Qual sua mensagem?
PADRE OSNILDO -
A todos os amigos e amigas, leigos e
leigas, seminaristas, religiosos e religiosas, sacerdotes do Brasil,
quero enviar-lhes das margens do Rio Congo, na cidade de Kisagani, minha
sauda��o e minha palavra de incentivo no sentido de realizarem, onde
estiverem, sua voca��o de disc�pulos e mission�rios de Cristo. S�
seremos bons mission�rios se estivermos apaixonados por Cristo e pela
humanidade. S� seremos bons mission�rios se acreditarmos na
possibilidade do Reino. S� seremos bons mission�rios se tivermos um
cora��o aberto para Deus e para o pr�ximo. S� seremos bons mission�rios
se deixarmos de contemplar somente o nosso pequeno mundo de ego�smos e
olhar para as grandes necessidades do mundo que nos cerca. S� seremos
bons mission�rios se tivermos uma grande riqueza interior para
satisfazer a pobreza de tantos irm�os e irm�s nossos .
S� seremos bons mission�rios se tivermos
um grande AMOR! Rezem por n�s! Obrigado pela sua aten��o!