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Miss�o Dehoniana

Entrevistas

Durante o m�s de outubro, vamos publicar entrevistas e testemunhos de mission�rios dehonianos que realizam seu apostolado nos  mais diversos pa�ses.

S�o padres , irm�os e religiosos que dedicam sua vida � miss�o e � evangeliza��o, com o carisma da repara��o e do minist�rio do amor, seguindo os passos de Padre Dehon.

 

 

04/10 - PADRE OSNILDO CARLOS KLANN SCJ

PORTAL DEHON BRASIL - A Congrega��o tem falado muito sobre miss�o nos �ltimos anos. Como essa urg�ncia � vista na Igreja do Congo?

PADRE OSNILDO - A partir da Confer�ncia Geral de Vars�via, em 2006,  muito se tem falado sobre a miss�o, principalmente, �ad gentes�. Em prepara��o ao Capitulo Geral do pr�ximo ano, o Governo Geral continua provocando-nos para  realizar experi�ncias al�m-fronteiras. Entre as perguntas a serem respondidas, encontramos uma que se refere concretamente � miss�o al�m-fronteiras.

No documento de prepara��o ao nosso capitulo provincial (CO), que se realizar� aqui no Centro Dom Grison, de 9 a 16 de outubro,  afirma-se que, para realizar experi�ncias mission�rias  fora da prov�ncia, � preciso, antes de tudo, fazer um trabalho de conscientiza��o e de sensibiliza��o  do esp�rito mission�rio. Sugere-se tamb�m a participa��o em encontros internacionais e semin�rios sobre o assunto e se recomenda, inclusive, a participa��o em atividades mission�rias fora da prov�ncia, �ad tempus�.

A prov�ncia dehoniana do Congo, est� preparando j� um religioso para envi�-lo em miss�o, para Angola. E a diocese de Butembo-Beni j� tem v�rios sacerdotes atuando fora da diocese, tanto no continente africano quanto na Europa, como mission�rios. 

 

PORTAL DEHON BRASIL - Quais os maiores desafios na miss�o no Congo?

PADRE OSNILDO - Os desafios na miss�o aqui no Congo s�o, na verdade muit�ssimos. Vou enumerar alguns; a numera��o n�o � crit�rio de import�ncia maior ou menor do desafio.

Sem duvida, o tribalismo � um problema muito s�rio  e constitui um obst�culo para a miss�o, pois separa o povo. H� entre  algumas tribos uma rivalidade profunda.    N�o se aceitam mutuamente. Um exemplo concreto, bem recente. Em nossa par�quia de Nduye, em Mambasa,  padre Silvano Ruaro, nosso mission�rio, apoiou a ida de nandes (outra tribo)  que s�o bons trabalhadores rurais, para  cultivarem os campos da regi�o. Foram.. 17 nandes.  Em pouco tempo, j� tinham preparado o terreno e fizeram grandes planta��es. Uma beleza! Mas os nativos da regi�o, principalmente as autoridades de Mambsa, provocaram uma rea��o contra o P. Ruaro, querendo expuls�-lo de Mambasa, junto com os nandes, porque estava apoiando uma tribo cujos membros, diziam as autoridades, eram do grupo interahamwe, (para-militares ugandeses). Felizmente um grupo de cat�licos foi em defesa do padre e dos nandes.

Outra grande dificuldade � a pobreza, a mis�ria.  Eles pensam que a Igreja deve resolver seus problemas financeiros. Procuram os mission�rios, os padres, para resolverem seus problemas de dinheiro. Minha experi�ncia pessoal: quando pedem para se encontrar comigo, pode estar certo, eles v�m para pedir dinheiro, porque t�m um �petit probl�me�, isto �: n�o tem dinheiro para a matr�cula, para a prime (mensalidade) dos filhos na escola, n�o tem dinheiro para  comprar rem�dios para a esposa, para os filhos doentes; n�o t�m dinheiro para o uniforme e para a roupa da fam�lia, n�o t�m o que comer, etc... N�o se trata de uma minoria.. � a maioria absoluta de nossa par�quia que vive na mis�ria. Como evangelizar a quem est� de barriga vazia; a quem n�o pode comprar rem�dio; a quem falta habita��o digna; a quem n�o tem trabalho?

A desagrega��o da fam�lia. Por causa dessa situa��o de mis�ria, principalmente, grande parte das fam�lias de nossa par�quia  vive  uma crise muito profunda. O pai, sem emprego, desesperado, procura na bebida, certo al�vio de seu sofrimento, ou parte para buscar fortuna e dinheiro em outros lugares, principalmente, nas minas de diamante e ouro; mas, em geral, se esquece da esposa e dos filhos. Os que ficam, v�o pedir trabalho em todos os lugares e tamb�m aqui em casa. Mas n�o temos trabalho para todo mundo. Al�m do mais, a pol�tica financeira desse pais � um desastre. O novo reajuste do sal�rio m�nimo vai obrigar as poucas ind�strias que existem , o com�rcio e  outras empresas que d�o emprego a muitos, a  demitir funcion�rios, pois n�o ter�o condi��o de pag�-los, no pr�ximo ano. O sal�rio m�nimo simplesmente vai dobrar para as empresas particulares, enquanto os funcion�rios do governo continuam  ganhando uma mis�ria ( professores, 50 d�lares, quando ganham).

Muitos meninos e meninas s�o �rf�os de pais que morreram na guerra de seis dias, em 2000. Vivem por a�, abandonados. Temos dois orfanatos para meninos e meninas, mas n�o s�o suficientes.

Muit�ssimas fam�lias  cat�licas n�o est�o com sua situa��o matrimonial regularizada na Igreja. N�o se casaram religiosamente. Se juntaram, simplesmente. Inclusive, h� catequistas  n�o casados  dando catequese! � claro que, por causa disso,   a freq��ncia aos sacramentos da confiss�o e da comunh�o � pequena. Inclusive a  freq��ncia � missa dominical deixa a desejar. N�o existe, em grande parte de nossos fi�is, a consci�ncia do Dia do Senhor.

Vejo com muita preocupa��o a fam�lia congolesa. Al�m do mais, o problema da poligamia est� presente e  � um obst�culo � unidade do matrim�nio.

N�o posso esquecer de nomear entre os obst�culos de evangeliza��o, a corrup��o, que reina n�o somente nas altas esferas da sociedade, mas tamb�m entre o povo simples. Na luta para sobreviver, sujeitam-se a tudo. Querem tirar proveito de tudo. H� uma mentalidade de corrup��o, mesmo sendo inconsciente. N�o existe a gratuidade. N�o fazem nada sem cobrar um dinheirinho, mesmo pequenos trabalhos na igreja. E quando podem, fazem trapa�as.

Tamb�m a feiti�aria e outras  supersti��es muito arraigadas na tradi��o do povo obstaculizam a evangeliza��o.

Como em muitos outros lugares, tamb�m aqui h� um div�rcio muito claro entre as verdades cridas e as verdades praticadas. Entre o crer e o agir, segundo a cren�a.

O grande desafio �, pois, como evangelizar  um povo que vive nessas situa��es e com essa mentalidade.

 

PORTAL DEHON BRASIL - O senhor assumiu o desafio mission�rio depois de muita atividade na Congrega��o. Como o senhor "encara" isso?

PADRE OSNILDO - Como j� escrevi, algumas vezes, sempre queria fazer uma experi�ncia mission�ria. Nunca me foi poss�vel realizar esse desejo. Depois de trabalhar 40 anos no Brasil e 3, em Roma,  vi a possibilidade de �encarar� uma miss�o al�m-fronteiras e precisamente, na Republica Democr�tica do Congo. Certamente, n�o foi uma decis�o f�cil. Mas n�o estou arrependido, mesmo passando por dificuldades, em especial, a dificuldade de aprender a l�ngua local, pois nossa mem�ria de �idoso� n�o � mais t�o fiel e �s duras penas se consegue guardar as estranhas palavras dessa l�ngua, o swahili.  Outra grande dificuldade que  sinto � ver a mis�ria desse povo. Sem condi��es imediatas de ajud�-los, como seria necess�rio.  Enquanto escrevo essas linhas, um bom n�mero de alunos  passaram pela minha secretaria, pedindo dinheiro para pagar a matr�cula escolar. Seus pais est�o mortos, ou est�o no hospital; ou o pai saiu de casa para ganhar a vida, longe daqui; a m�e vive sozinha etc.   E a ladainha de mis�ria � longa demais.... At� mesmo a diretora da escola cat�lica  de nossa par�quia apresentou-me, agora mesmo, uma lista de 225 alunos pobres que n�o t�m condi��es de pagar a matr�cula, pedindo minha ajuda. Haja dinheiro para tudo isso!

 

PORTAL DEHON BRASIL - Nossa �ltima Confer�ncia Geral fala da miss�o ad gentes. O Brasil sempre recebeu mission�rios e agora d� largos passos no envio de mission�rios. O que ainda pode ser feito nesse sentido?

PADRE OSNILDO - Na verdade, escreve-se bastante, fala-se muito sobre miss�o, mas o que falta, a meu ver, � a coragem de sair de si mesmo, de suas comodidades, de seu �ninho� c�modo e  agrad�vel, para enfrentar o desconhecido, que sempre nos causa medo. Sair do bom, para enfrentar  o desconhecido. Falta isso.

 

PORTAL DEHON BRASIL - O que � ser dehoniano mission�rio?

PADRE OSNILDO - Ser mission�rio dehoniano � ter o cora��o aberto  a Deus para acolher de bra�os abertos, na compaix�o e na miseric�rdia, o irm�o e a irm� que precisam de nossa ajuda material e espiritual. Ser mission�rio dehoniano � ter os olhos fixos no Cora��o transpassado do Cristo e o olhar compassivo sobre o cora��o rasgado pelo pecado da humanidade.

Ser mission�rio dehoniano � ter a coragem oblativa de Maria, no fiat da Anuncia��o, e a disposi��o de caminhar em busca do outro, como Maria no caminho da Visita��o.

Ser mission�rio dehoniano � viver a intimidade com Cristo, como a samaritana, no po�o de Jac� e ter a atitude reparadora do bom samaritano, no caminho de Jeric�.

Ser mission�rio dehoniano � esquecer-se, no abandono total,  � vontade do Pai, para se lembrar  do Outro e dos outros, na doa��o generosa de seu ser e agir.

 

PORTAL DEHON BRASIL - Qual sua mensagem?

PADRE OSNILDO - A todos os amigos e amigas, leigos e leigas, seminaristas, religiosos e religiosas, sacerdotes do Brasil, quero enviar-lhes das margens do Rio Congo, na cidade de Kisagani, minha sauda��o e minha palavra de incentivo no sentido de realizarem, onde estiverem, sua voca��o de disc�pulos e mission�rios de Cristo. S� seremos bons mission�rios se estivermos apaixonados por Cristo e pela humanidade. S� seremos bons mission�rios se acreditarmos na possibilidade do Reino. S� seremos bons mission�rios  se tivermos um cora��o aberto  para Deus e para o pr�ximo. S� seremos bons mission�rios se deixarmos de contemplar somente o nosso pequeno mundo  de ego�smos e olhar para as grandes necessidades do mundo  que nos cerca. S� seremos bons mission�rios se tivermos uma grande riqueza interior para satisfazer a pobreza de tantos irm�os e irm�s nossos .

S� seremos bons mission�rios se tivermos um grande AMOR! Rezem por n�s! Obrigado pela sua aten��o!

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2006-2008 - Congrega��o dos Padres do Sagrado Cora��o de Jesus
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