|
QUEM � O
NASCITURO?
Nascituro n�o � uma
palavra usualmente utilizada. Trata-se, segundo os dicion�rios, dos
seres concebidos, mas ainda n�o dados � luz.
Agora a CNBB prop�e
para a sociedade brasileira o Dia do Nascituro, aos oito de outubro, e
a Semana de Defesa e Promo��o da Vida. Entendo que com esta iniciativa
pretende que todos n�s reflitamos sobre a vida humana, o momento do
seu in�cio, seu significado e sua dignidade.
Infelizmente existem
pessoas interessadas em rebaixar o valor da vida humana, ou mesmo
questionar a sua exist�ncia, principalmente nos primeiros momentos da
gesta��o. Pretende-se induzir ao erro a sociedade brasileira de forma
que at� as pessoas de boa f�, cat�licos e n�o cat�licos, passem a
acreditar que a vida humana � na forma de embri�o humano ou feto
humano, por exemplo -, sejam apenas �coisas� que podemos manipular na
depend�ncia de interesses particulares.
Dentre tantos
aspectos que envolvem o nascituro, parece-me importante destacar um:
quando � que come�a uma nova vida humana.
A Biologia e a
Gen�tica confirmam que, no exato momento da fecunda��o, isto �, quando
se unem o �vulo humano (gameta feminino) com o espermatoz�ide (gameta
masculino), inicia-se uma nova vida que passa a se desenvolver por
conta pr�pria. No momento da fecunda��o se cria um patrim�nio gen�tico
diferente daquele do pai e da m�e. Nesse seu patrim�nio gen�tico o
embri�o cont�m toda a for�a de seu desenvolvimento sucessivo: Todos os
caracteres corporais, a for�a para desenvolver as primeiras c�lulas, o
des�gnio para deslocar essas c�lulas e construir os �rg�os. Esse
processo acontece sem descontinuidade, � cont�nuo do come�o ao fim,
sem saltos de qualidade, quer dizer, sempre o mesmo sujeito, o mesmo
patrim�nio gen�tico individualizado. Desde o come�o, pode-se conhecer
o sexo daquele indiv�duo, por exemplo.
Alguns argumentam
que o embri�o n�o � um ser humano, antes de 5 a 7 dias, quando ent�o
se ligaria ao �tero da m�e. � claro que se n�s temos uma crian�a rec�m
nascida, por exemplo, que n�o � alimentada pela m�e, ela morre. Mas
n�o � a alimenta��o que produz a crian�a. Ent�o n�o � a implanta��o
que faz do embri�o um ser humano. A implanta��o faz com que o embri�o,
que j� � uma vida humana, cres�a e se desenvolva. Nos primeiros dias o
embri�o se alimenta daquilo que encontra no �vulo que foi fecundado e
depois se implanta para ser alimentado pelo corpo da mulher, mas j�
est� ativo, j� existe.
A constru��o de uma
casa requer o envolvimento do arquiteto que faz o desenho, do
empreiteiro que administra a constru��o, dos pedreiros que executam a
obra e do material necess�rio. No embri�o, essas diferentes fun��es (o
desenho, a coordena��o, a constru��o e o material de constru��o) se
encontram e se ativam por dentro; ele � o arquiteto, o empreiteiro, o
pedreiro e o pr�prio material.
Outros dizem que at�
os 15 dias ainda n�o se formaram os sinais daquilo que vai ser o
c�rebro. At� que n�o existam os fios neurol�gicos ainda n�o existe
c�rebro. Mas sabemos que o c�rebro se desenvolve porque o embri�o o
faz desenvolver. O c�rebro do feto n�o vai se desenvolver por a��o da
m�e, mas se desenvolve atrav�s dos genes que est�o dentro do embri�o
desde o primeiro momento da fecunda��o.
Outros, ainda, dizem
que tamb�m o embri�o quando for implantado pode se dividir em dois,
ent�o se um ainda pode se dividir em dois, ainda n�o temos certeza da
sua identidade. Mas quando acontecem os g�meos, a gemina��o do embri�o
n�o destr�i o primeiro embri�o, mas separando-se algumas c�lulas estas
se tornam um outro embri�o. O primeiro embri�o continua o mesmo e o
segundo embri�o continua a se desenvolver. Ent�o temos o dobro das
raz�es para defend�-los porque s�o dois embri�es.
Desde a fecunda��o o
embri�o � um ser humano e tem que ser respeitado como ser humano. A
personalidade psicol�gica e social, a gente cria depois do nascimento
mas a dignidade de pessoa existe desde quando come�a a vida do ser
humano.
Como recentemente,
passando pelo Brasil, lembrou-nos Dom Elio Sgreccia, Presidente da
Pontif�cia Academia Para a Vida, do Vaticano:
"Lutamos contra a discrimina��o entre brancos e negros, lutamos e
estamos lutando conta a discrimina��o entre pobres e ricos, essas s�o
formas de discrimina��o que poder�amos descrever como formas de
discrimina��o horizontais. N�o podemos permitir que se coloque a
discrimina��o vertical dentro do pr�prio ser humano. Cada um de n�s
pode dizer "eu tenho o mesmo valor desde o primeiro dia at� hoje" e se
algu�m tivesse feito uma a��o de elimina��o, depois do primeiro
momento da fecunda��o, aquele embri�o n�o estaria aqui hoje a discutir
a identidade do embri�o ".
O que as ci�ncias
biol�gicas descobriram sobre a vida humana n�o est�, ent�o, em
contradi��o com os ensinamentos da Igreja que nos ensina que
�A partir do
momento em que o �vulo � fecundado, inaugura-se uma nova vida que n�o
� a do pai nem a da m�e, mas sim a de um novo ser humano que se
desenvolve por conta pr�pria. Nunca mais se tornaria humana, se n�o o
fosse j� desde ent�o.�
(Jo�o Paulo II -
Carta Enc�clica EVANGELIUM VITAE, n.60
Interromper este
processo que se inicia na fecunda��o, por meio do congelamento de
embri�es, da �p�lula do dia seguinte� ou por tantas outras formas de
aborto provocado, � interromper uma vida, isto �, matar um ser humano
ainda n�o nascido: o nascituro.
Dalton Luiz de
Paula Ramos
Professor de Bio�tica na USP
Membro da equipe de assessores em Bio�tica da CNBB e da
Pontif�cia Academia Para a Vida
Fonte: CNBB
>> DECLARA��O SOBRE EXIG�NCIAS �TICAS EM DEFESA DA VIDA
>> SOFRIMENTO SILENCIOSO DOS QUE AINDA
N�O NASCERAM
>>
O problema do aborto
>> Reduzir o custo dos anticoncepcionais
basta? |