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CEBs: ALGUMAS
IMPRESSÕES em 2005...
Houve época, nos
anos 70, de modo especial, em que, se alguém quisesse
considerar-se cristão católico, deveria participar ou, ao
menos, saber falar ou apenas falar de CEBs. Era, sob o
aspecto sociológico, quase que um modismo. Até havia gente
que falava de CEBs sem ao menos ter o mínimo conhecimento
de suas implicâncias e seus significados.
CEBs:
Comunidades Eclesiais de Base. Recordo que tive a ocasião
ímpar de assistir a uma defesa de tese de Doutorado em
Eclesiologia, na Pontifícia Università Gregoriana, em
Roma, na qual o autor, um jesuíta brasileiro, interpretava
as CEBs como sendo, culturalmente, “o jeito mais
brasileiro de a Igreja estar presente entre o povo”.
Era a inculturação mais adequada do cristianismo no
Brasil. Para meus colegas europeus da universidade,
acostumados e educados em uma Igreja essencialmente formal
e institucionalizada, isso beirava a heresia ou teologia
de gente do Terceiro Mundo. Onde já se viu fazer
celebrações católicas, comunitárias, sem a presença de um
padre ou celebrante, vestido a rigor e usando uma
linguagem que fugia do “teologuês”? O padre tinha de falar
de tal modo que as pessoas não entendessem o que estava
dizendo... Era Teologia! Mas, agora, um leigo, camponês,
índio, negro, uma mulher, Ministro da Palavra, falando em
uma “linguagem do povo”, e distribuindo a comunhão...,
isso, no mínimo, feria os cânones mais elementares do
Direito Canônico. Fazer uma celebração em comunidades, nas
quais o padre somente poderia aparecer de quatro em quatro
meses, e, então, colocava-se sua estola sobre o altar e a
comunidade celebrava a sua vida, do seu jeito, com seus
símbolos, com suas canções (que não eram em latim!),
trazendo para ao altar a sua vida...e, ao final, a pessoa
mais idosa e veneranda dava a bênção a todos os
participantes, que a recebiam com a maior devoção...
Dizia-se: “é o jeito brasileiro de ser Igreja”. E
de ser cristão católico romano!
Passados alguns
anos, em virtude da influência vinda dos Estados Unidos da
América, por influência de Cardeal Polonês, para ser
Igreja, era necessário valorizar os sentimentos. Houve até
criatividade. Mas, ao mesmo tempo, o intimismo tomou
conta. Quando Pe. Haroldo Rahm e Maria Lamego passaram a
ser os profetas da Renovação Carismática Católica (RCC),
os cristãos tiraram os pés do chão de sua realidade
existencial e passaram a estar no ar, a “fazer a
experiência do Senhor”, a “repousar no Espírito” e, de uma
hora para outra, Deus não entendia mais a linguagem
simples e direta e, nem mesmo português. Foi necessário
“orar em línguas”, foi necessário recolher-se etc. A vida
do dia-a-dia ficou esquecida. Os problemas sociais não
mais eram vistos porque ficava-se entre quatro paredes,
“sentindo”, “fazendo experiência”, “orando” e “louvando”.
Se, em alguns
lugares e por algum tempo, as CEBs tornaram-se “ambientes
políticos” e de “militância política” agora estava vindo a
reação...
Aconteceu,
recentemente, em julho/2005, em Ipatinga/MG, o 11º.
Intereclesial das CEBs. E, com satisfação, lê-se no texto
base: CEBs: Espiritualidade Libertadora – Seguir Jesus
no Compromisso com os Excluídos. Que impressão fica?
A impressão de que se está em busca de um
justo equilíbrio. Há um resgate das verdades dos
Documentos do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM),
especialmente As Conclusões da Conferência de Puebla,
quando se fez uma opção preferencial pelos pobres e pelos
jovens. E, perguntamos hoje: quais são as características
dos pobres e jovens de hoje? Que “rostos” ,
na feliz expressão de Puebla, tem nossa gente, que
rosto tem a maioria de nós, hoje? Ao mesmo tempo,
juntam-se as grandes contribuições, deixando de lado todos
os exageros e atitudes sem sentido da RCC. Falar em
“Espiritualidade Libertadora” é altamente desafiador,
provocador e sinal de equilíbrio...
Pe Nestor Adolfo Eckert
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