beatificação
 

Nota à imprensa
(sobre a beatificação de Padre Dehon)

A beatificação de P. Dehon suscitou recentemente perplexidade na imprensa e protestos por suas posições anti-semitas. A maior parte destas publicações caracterizam-se pela polêmica e se fundamentam em conhecimentos superficiais da obra e da personalidade de Leão Dehon. Por esta razão, para prestar alguns esclarecimentos, a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus publica esta nota.

1. Todas as obras de P. Dehon, também os textos citados, foram publicados integralmente. Todos os seus escritos foram submetidos ao exame dos censores da Congregação para a Causa dos Santos. Jamais houve qualquer tentativa de esconder algo (cf. Le Monde, 10.06.2005).

2. O processo de beatificação não foi interrompido em 1952, contrariamente a certas afirmações, pelo simples fato que esta causa foi introduzida apenas em 1952.

3. Na obra publicada de P. Dehon, não se encontra menção alguma a Karl LUEGER fazendo apologia do anti-semitismo, especialmente quando P. Dehon se refere à situação da Áustria. Estabelecer um elo entre sua obra e a de Lueger, o qual Hitler elogia em “Mein Kampf”, é portanto uma grave difamação. Não se pode afirmar que P. Dehon tenha sido um precursor da elaboração de estatutos posteriores do povo judeu, em particular da administração de Vichy.

4. Contrariamente a quanto foi afirmado (cf. “Le Monde”), não somente Leão XIII não se afastou de Leão Dehon, mas em 1897 nomeia-o Consultor da Congregação para o Index, precisando: “Faço saber que eu aprovo suas posições e lhe confio a função de quem deve julgar a doutrina dos outros”.

5. Cumpre acentuar que a atitude de P. Dehon para com o povo judeu está longe de ser somente anti-judaica. Ele enfatiza a dimensão providencial deste povo na história da salvação, desejando que as grandes figuras do Antigo Testamento sejam inseridas também no calendário litúrgico da Igreja. Eis um texto “Este (o povo judeu) é um povo providencial. Deus não o abandonou definitivamente mas o conserva como testemunha da história e das Sagradas Escrituras. Reserva-lhe uma grande missão nos últimos tempos do mundo...”

6. Como Consultor da Congregação do Index, ele age com vigor para que a Congregação instrua o processo da Ação Francesa. Encarregado de fazer um relatório sobre este tema, ele cita explicitamente o anti-semitismo da Ação Francesa como um dos motivos para sua eventual condenação.

7. Enfim, é nosso dever denunciar a manipulação dos textos, usados fora do contexto e de forma mutilada, para difamar uma personalidade, ressaltando assim somente seus aspectos negativos. É importante acentuar que o que motiva P. Dehon em suas posições, é seu compromisso em condenar todas as formas de injustiças sociais de seu tempo, em particular a usura excessiva e a denunciar suas causas, isto é, o liberalismo e o capitalismo, para promover uma nova sociedade, e a “renovação social cristã”.

P. Josè Ornelas Carvalho, scj. Superior Geral
Roma, 24 de junho de 2005

(fonte: dehon.it)

 
 

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