30 Maio 2007
24 Maio 2007
Palavras do Papa sobre o Brasil
Nesta audiência geral, quero recordar minha viagem apostólica ao Brasil, de 9 a 14 deste mês. Depois de dois anos de pontificado, finalmente tive a alegria de visitar a América Latina, que tanto amo, e onde vive, de fato, uma grande parte dos católicos do mundo. A meta foi o Brasil, mas quis abraçar todo o grande subcontinente latino-americano, pois o acontecimento eclesial que me chamou para ir até lá foi a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Desejo renovar minha profunda gratidão aos irmãos bispos, em particular aos de São Paulo e de Aparecida, pela acolhida que recebi. Agradeço ao presidente do Brasil e às demais autoridades civis por sua cordial e generosa colaboração. Com grande afeto, agradeço o povo brasileiro pelo calor com que me acolheu -- era verdadeiramente comovedor -- e pela atenção que dedicou às minhas palavras. Minha viagem teve antes de tudo o valor de um ato de louvor a Deus pelas «maravilhas» operadas nos povos da América Latina, pela fé que animou sua vida e sua cultura durante mais de quinhentos anos. Neste sentido, foi uma peregrinação que teve seu momento culminante no santuário de Nossa Senhora Aparecida, principal padroeira do Brasil. O tema da relação entre fé e cultura foi sempre muito importante para meus venerados predecessores, Paulo VI e João Paulo II. Quis retomá-lo, confirmando a Igreja que está na América Latina e no Caribe no caminho de uma fé que se fez e se faz história vivida, piedade popular, arte, em diálogo com as ricas tradições pré-colombinas, também com as múltiplas influências européias e de outros continentes. Certamente, a lembrança de um passado glorioso não pode ignorar as sombras que acompanharam a obra de evangelização do continente latino-americano: não é possível esquecer os sofrimentos e as injustiças que os colonizadores causaram à população indígena, pisoteada com freqüência em seus direitos fundamentais. Mas o dever de mencionar esses crimes injustificáveis, condenados já então por missionários como Bartolomeu das Casas e teólogos como Francisco de Vitória, da Universidade de Salamanca, não deve impedir de reconhecer com gratidão a maravilhosa obra que a graça divina levou a cabo entre essas populações ao longo destes séculos. O Evangelho no continente se transformou, deste modo, no elemento-chave de uma síntese dinâmica que, com diversos matizes segundo as nações, expressa a identidade dos povos latino-americanos. Hoje, na época da globalização, esta identidade católica continua apresentando-se como a resposta mais adequada, sob a condição de que esteja animada por uma séria formação espiritual e pelos princípios da doutrina social da Igreja. O Brasil é um grande país que custodia valores cristãos profundamente arraigados, mas vive também enormes problemas sociais e econômicos. Para oferecer uma solução, a Igreja deve mobilizar todas as forças espirituais e morais de sua comunidade, buscando convergências oportunas com as energias sãs do país. Entre os elementos positivos, deve-se indicar certamente a criatividade e a fecundidade dessa Igreja, na qual nascem continuamente novos movimentos e novos institutos de vida consagrada. Também merece elogio a entrega generosa de tantos fiéis leigos, que são sumamente ativos nas diferentes atividades promovidas pela Igreja. O Brasil é também uma nação que pode propor ao mundo um novo modelo de desenvolvimento: a cultura cristã pode inspirar uma «reconciliação» entre os seres humanos e a criação, a partir da recuperação da dignidade pessoal na relação com Deus Pai. Neste sentido, um exemplo eloqüente é a «Fazenda da Esperança», uma rede de comunidades de recuperação para jovens que querem sair do túnel tenebroso das drogas. Na que visitei, que me impressionou profundamente e que me deixou uma viva recordação no coração, é significativa a presença de um mosteiro de irmãs clarissas. Isso me pareceu emblemático para o mundo de hoje, que precisa de uma «recuperação» certamente psicológica e social, mas sobretudo profundamente espiritual. E emblemática foi também a canonização, celebrada com alegria, do primeiro santo nativo do país: Frei Antônio de Sant’Ana Galvão. Este sacerdote franciscano do século XVIII, devotíssimo da Virgem Maria, apóstolo da Eucaristia e da Confissão, foi chamado enquanto vivia de «homem de paz e de caridade». Seu testemunho é mais uma confirmação de que a santidade é a verdadeira revolução, que pode promover a autêntica reforma da Igreja e da sociedade. Na catedral de São Paulo, encontrei os bispos do Brasil, a conferência episcopal mais numerosa do mundo. Testemunhar-lhes o apoio do sucessor de Pedro era um dos objetivos principais de minha missão, pois conheço os grandes desafios que o anúncio do Evangelho tem de enfrentar nesse país. Alentei meus irmãos a prosseguir e reforçar o compromisso da nova evangelização, exortando-os a difundir, de forma capilar e metódica, a Palavra de Deus para que a religiosidade inata difundida entre a população se torne mais profunda e se transforme em fé madura e em adesão pessoal e comunitária ao Deus de Jesus Cristo. Alentei-os a recuperar por toda parte o estilo da primitiva comunidade cristã, descrita no livro dos Atos dos Apóstolos: assídua na catequese, na vida sacramental e na caridade operante. Conheço a dedicação desses fiéis servidores do Evangelho, que o querem apresentar sem limites nem confusão, custodiando o depósito da fé com discernimento; e conosco também sua preocupação constante por promover o desenvolvimento social, principalmente mediante a formação de leigos, chamados a assumir responsabilidades no campo da política e da economia. Agradeço a Deus por ter me permitido aprofundar na comunhão com os bispos brasileiros, que continuam estando sempre presentes em minha oração. Outro momento característico da viagem foi, sem dúvida, o encontro com os jovens, esperança não só para o futuro, mas força vital também para o presente da Igreja e da sociedade. Por este motivo, a vigília que animaram em São Paulo foi uma festa da esperança, iluminada pelas palavras de Cristo dirigidas ao «jovem rico», que lhe havia perguntado: «Mestre, o que hei de fazer de bom para conseguir a vida eterna?» (Mateus 19, 16). Jesus lhe indicou, antes de tudo, «os mandamentos», como o caminho da vida, e depois o convidou a deixar tudo para segui-lo. Hoje a Igreja continua fazendo o mesmo: antes de tudo, volta a apresentar os mandamentos, autêntico caminho de educação na liberdade e no bem pessoal e social; e sobretudo propõe o «primeiro mandamento», o do amor, pois sem amor os mandamentos não darão pleno sentido à vida nem procurarão a verdadeira felicidade. Só quem encontra em Jesus o amor de Deus empreende este caminho para percorrê-lo entre os homens, converte-se em seu discípulo e seu missionário. Convidei os jovens a serem apóstolos de seus conterrâneos; e por isso, a cuidar sempre de sua formação humana e espiritual; a ter grande estima pelo matrimônio e pelo caminho que conduz a ele, na castidade e na responsabilidade; a estar abertos também ao chamado à vida consagrada pelo Reino de Deus. Em definitivo, eu os alentei a tornar fecunda a grande «riqueza» de sua juventude, para ser o rosto jovem da Igreja. Cume da viagem foi a inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, no santuário de Nossa Senhora Aparecida. O tema desta grande e importante assembléia, que se concluirá no final do mês, é «Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nossos povos n’Ele tenham vida. ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’». O binômio «discípulos e missionários» corresponde ao que o Evangelho de Marcos diz sobre o chamado dos apóstolos: «[Jesus] instituiu doze, para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar» (Marcos 3, 14-15). A palavra «discípulo» faz referência, portanto, à dimensão formativa e ao seguimento, à comunhão da experiência vivida, da verdade e do amor conhecidos e assimilados. Ser discípulos e missionários implica um vínculo íntimo com a Palavra de Deus, com a Eucaristia e com os demais sacramentos, viver na Igreja em escuta obediente de seus ensinamentos. Renovar com alegria a vontade de ser discípulos de Jesus, de «estar com Ele», é a condição fundamental para ser missionários «recomeçando desde Cristo», segundo o lema do Papa João Paulo II a toda a Igreja após o Jubileu de 2000. Meu venerado predecessor sempre insistiu em uma evangelização «nova em seu ardor, em seus métodos, em sua expressão», como afirmou falando precisamente à assembléia do CELAM, em 9 de março de 1983, no Haiti (cf. «Insegnamenti» VI/1 [1983], 698). Com minha viagem apostólica, quis exortar a prosseguir por este caminho, oferecendo como perspectiva de unificação a da encíclica «Deus caritas est», uma perspectiva inseparavelmente teológica e social, que se resume nesta expressão: «é o amor que dá a vida». «A presença de Deus, a amizade com o Filho de Deus encarnado, a luz de sua Palavra, são sempre condições fundamentais para a presença e eficiência da justiça e do amor em nossas sociedades». À materna intercessão da Virgem Maria, venerada com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, como padroeira de toda a América Latina, e ao novo santo brasileiro, Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, encomendo os frutos dessa inesquecível viagem apostólica.
[Tradução realizada por ZENIT. Após a audiência o Santo Padre dirigiu sua palavra em vários idiomas. Em língua portuguesa disse o seguinte:]
Amados Irmãos e Irmãs,
Nesta Audiência Geral o Meu pensamento se dirige com emoção à Viagem apostólica que realizei na segunda quinzena de maio. Transcorridos dois anos de Pontificado, tive por fim a alegria de ir à América Latina, que tanto amo e donde vive, na realidade, uma grande parte dos católicos do mundo. A meta era o Brasil, mas quis também abraçar todo o subcontinente latino-americano, levando-se em conta que o acontecimento eclesial que motivou a Viagem foi a Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho. Desejo renovar a expressão da minha profunda gratidão pela acolhida que Me ofereceram os Bispos do Brasil e da América Latina. Agradeço também ao Presidente da República do Brasil e às demais autoridades civis, pela cordial e generosa colaboração prestada na ocasião; sou grato, enfim, ao povo brasileiro pela calorosa acolhida de que fui objeto em São Paulo e Aparecida, bem como pela expressiva manifestação de religiosidade e de fé que soube demonstrar.Saúdo a todos os peregrinos de língua portuguesa, mormente aos portugueses da Paróquia de Nossa Senhora de Laveiras-Caxias; Valdefigueira-Setubal; Porto Diniz e inclusive a um grupo de visitantes. Saúdo também aos numerosos brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília. A todos peço orações pelos frutos da minha Viagem na Terra da Santa Cruz, enquanto de coração vos concedo a Bênção Apostólica.
[© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana]
21 Maio 2007
Papa lembra da viagem ao Brasil e dos conflitos na Faixa de Gaza
20 Maio 2007
Bispos reunidos em Aparecida enviam mensagem ao Papa
Cidade do Vaticano
Beatíssimo Padre:
Os participantes na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, desejamos lhe fazer chegar uma saudação filial e afetuosa e lhe expressar o agradecimento mais profundo por ter querido empreender esta fatigante viagem para inaugurar pessoalmente nossa Assembléia aos pés da Santíssima Virgem Maria, Nossa Senhora Aparecida, nos honrando com a sua presença nesta bendita terra do Brasil.
Agradecemos deste modo as iluminadoras palavras recebidas de Sua Santidade na Homilia da Santa Missa e no Discurso de inauguração da Conferência, cujos conteúdos serão orientação e guia para nossos trabalhos. A vinda de Sua Santidade, seu testemunho como Vigário de Cristo e Sucessor de Pedro e o dom do presente que nos fez, confortaram-nos e nos fortaleceram.Vivemos nestes dias a forte presença do Senhor, pois estão cheios de oração e de fraternidade entre nós, no trabalho compartilhado, na proximidade espiritual e na solicitude pelos irmãos que Ele nos confiou.
Desejamos lhe expressar nossa profunda comunhão. Queremos realizar nossa tarefa cum Petro et sub Petro. Estaremos unidos com Sua Santidade e com toda a Igreja especialmente na Eucaristia diária, pois “só da Eucaristia brotará a civilização do amor, que transformará a América Latina e o Caribe para que, além de ser o Continente da Esperança, seja também o Continente do Amor.
Rogando sua oração e prometendo a nossa, invocamos de Sua Santidade a Bênção Apostólica.
Filialmente,
Dom Giovanni Battista Re
Presidente da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe
Dom Francisco Javier Errázuriz Ossa
Co-Presidente da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe
Dom Geraldo Majella Agnelo
Co-Presidente da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe
18 Maio 2007
Papa pode voltar ao Brasil em 2011
Em entrevista coletiva em Aparecida, Dom Odilo relatou algumas das primeiras impressões do líder da Igreja Católica sobre o Brasil. De acordo com o arcebispo, o Papa se disse surpreso com o frio - quando Bento XVI chegou, São Paulo vivia o dia com as menores temperaturas em 2007, na casa dos 10 graus. "Ele disse que se sentiu mais à vontade assim", disse.
Dom Odilo acompanhou o Papa nos trajetos com papamóvel pela capital paulista e relatou que o pontífice ficou feliz ao ver crianças correndo nas calçadas, acompanhado o trajeto. "Os meninos são iguais em todo mundo", teria comentado Bento XVI.
Perguntado sobre as quebras de protocolo, como a aproximação direta com os fiéis, no sábado (12 de maio), em Guaratinguetá, Dom Odilo explicou que o Papa "não é diplomata, mas um teólogo". "Ele se sentiu muito bem estando com o povo", disse.
Uma chance para Bento XVI

É natural que um papa seja mais comentado do que ouvido. Afinal ele é uma pessoa notória em função do cargo que ocupa diante de bilhões de espectadores e milhões de comentaristas. Milhões falam do papa, mas nem sempre o papa consegue chegar aos milhões que falam dele. Não deixam!
Quando cristãos, e entre eles, milhões de católicos falam do papa, ouvem os que falam do papa e pura e simplesmente não dão ao líder da sua Igreja a chance de lhes falar, estamos diante de uma flagrante injustiça. Afinal, há revistas católicas, jornais, rádio, televisão, há livros, há o L´Osservatore Romano em português, há a Internet e o site do Vaticano, há programas católicos retransmitindo sua palavra, há novos livros nas livrarias e há pelo menos 7 biografias serenas sobre a sua pessoa.
A verdade? Poucos leram os seus livros, poucos lêem suas entrevistas e seus discursos e documentos oficiais, mas, com enorme facilidade ele é taxado de conservador e avesso ao diálogo. Como podem afirmar se nunca leram nada do que ele escreveu? Porque a mídia disse? E quem disse? Que mídia? A partir de qual perspectiva?
Agora em ele vem ao Brasil, onde muita gente ouviu mais coisas contra ele do que a seu favor, porque nos últimos quinze anos nas entrevistas sobre Joseph Ratzinger ele foi pintado como inimigo da liberdade. Ratzinger não estava lá para se defender. E o que ele dizia não era transmitido. Agora fala, mas mesmo assim poucos o lêem ou ouvem. Os que falam dele continuam recebendo mais destaque do que o que ele fala. Quanto leram “Deus Charitas est”, ou “Sacramentum Charitatis?” Ele fala todas as semanas oficialmente. Alguém procura saber o que ele fala? Não é verdade que preferem ouvir quem fala dele, ou até contra ele?
Sugiro aos que nunca leram nada do que ele escreveu que se interessem e procurem biografias dele escritas por gente que o ama e respeita. Além disso, leia seus documentos oficiais.
Já deram muitas chances a quem falou contra ele. Dêem agora alguma chance ao que ele fala. É um dos maiores teólogos do mundo e bem que merece a oportunidade de ser ouvido! Não é assim que se lida com a verdade?
17 Maio 2007
Bento XVI quer recuperar Jesus como centro da Igreja na AL
Em sua coluna semanal, que pode ser lida em http://chiesa.espresso.repubblica.it/dettaglio.jsp?id=140861&sp=e, Magister sustenta que "do Brasil ressona uma palavra mais cortante que uma espada. Uma palavra que é uma pessoa: Jesus. O mesmo ao qual Bento XVI dedicou o livro de sua vida. Para o Papa o futuro da Igreja na América Latina e no mundo está ligado à obediência a Ele. E se sentou no dever de recordá-lo aos bispos".
Segundo o vaticanista, embora o discurso mais esperado foi o que pronunciou ao inaugurar a V Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida, que será recordado no futuro, como o mais revelador dos objetivos do Papa foi outro. foi o que dirigiu os bispos do Brasil na catedral de São Paulo, ao final das vésperas da sexta-feira 11 de maio".
"A clara tentativa de Bento XVI é o de voltar a centrar a vida da Igreja latino-americana em Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: uma Igreja que a seu julgamento, nos últimos decênios deslocou muito seu centro para o terreno sócio-político, sob o influxo da teologia da libertação", sustenta.
O jornalista explica que "para o Bento XVI, uma evangelização forte é a verdadeira resposta aos ataques à família, aos delitos contra a vida, ao abandono do catolicismo a favor dos novos cultos evangélicos e pentecostais. Também o celibato do clero vacila quando 'a estrutura da total consagração a Deus começa a perder seu significado mais profundo'. E também aos pobres lhes oferece 'o bálsamo divino da fé sem descuidar o pão material'".
"Em cada uma destas indicações dadas pelo Bento XVI aos bispos do Brasil é fácil intuir as situações que as originam: da desenfreada espontaneidade litúrgica à violação difundida do celibato sacerdotal. O Papa não se estendeu em descrever tais situações", adverte Magister.
"Em troca, Bento XVI centrou toda sua prédica no fundamento de que partiu no discurso aos bispos: Jesus. Ou seja, fez o mesmo trabalho de concentração sobre o essencial que caracteriza sua encíclica 'Deus caritas est' e seu livro sobre 'Jesus de Nazaré'", adiciona.
Fonte: ACI
16 Maio 2007
Bento XVI envia telegrama ao presidente Lula
Durante o vôo de retorno do Brasil à Itália, o Papa enviou, como de costume, telegramas aos chefes de Estado dos países sobrevoados: Brasil, Cabo Verde, Canárias, Marrocos, Argélia, França e Itália. Os telegramas do Santo Padre transmitem mensagens de paz e de concórdia aos povos.
Ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pontífice escreveu: "No momento em que sobrevôo as terras brasileiras, para regressar a Roma, desejo externar meus sinceros agradecimentos pela delicada atenção que me foi dispensada por Vossa Excelência e demais membros de seu governo, durante a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe".
"Desejando que o Brasil continue a responder aos desafios em sua caminhada _ acrescenta o Santo Padre _ para construir, no concerto da família humana, um futuro sereno, cada vez mais próspero para os filhos desta nobre nação, em fidelidade aos genuínos valores humanos e cristãos de seu rico patrimônio cultural, imploro para todos os brasileiros, a assistência e as bênçãos de Deus Onipotente."
Fonte: Canção Nova
15 Maio 2007
O papa nos caminhos da América Latina
A celebração da V Conferência é uma nova oportunidade para reconhecer a presença de Deus na história deste povo crescente que é o povo latino-americano. Um povo que, apesar das situações de injustiça e crescente pobreza, experimentou e testemunhou o amor primeiro de Deus, fazendo desta experiência uma história de compromisso, comunhão e encontro com Deus nos humildes. (cfr. Benedicto XVI, Deus caritas est, º15)
Nos sentimos convocados e comprometidos com a realidade desafiadora do nosso povo por que seguir a Jesus, nas palavras do Papa, implica "viver em intimidade com Ele, imitar o seu exemplo e dar o testemunho" do Deus de Jesus Cristo: "o Deus da compaixão, do perdão e da reconciliação; o Deus próximo aos pobres e aos sofredores". "O Deus de rosto humano, o Deus conosco", que se "fez pobre para nos enriquecer com sua pobreza (2 Co 8,9)", é quem dá fundamento à opção preferencial pelos pobres, redescobrindo assim a presença implícita dos pobres nos traços sofredores do Cristo que nos questiona e nos interpela (cfr. Documento de Puebla, nº31.)
Os discípulos de Jesus na América descobriram este Deus encarnado no encontro com os irmãos e no compromisso com a busca por condições de vida "mais humanas: livres de ameaças, da fome e de toda forma de violência".
Sem dúvida alguma, o itinerário espiritual do Papa, a visita ao Brasil, ponto de encontro para escutar os clamores de toda a América Latina e o Caribe, nos permite recordar outro trecho de sua carta dirigida aos fiéis de todo o mundo. "Meu próximo é qualquer um que tenha necessidade de mim e a quem eu possa ajudar. Universalizamos o conceito de próximo, mas fazendo com que ele permaneça concreto. Mesmo que se aplique a todos os homens, o amor ao próximo não se reduz a uma atitude genérica e abstrata, pouco exigente de si mesma, mas sim requere meu compromisso prático aqui e agora", (Bento XVI, Deus caritas, est nº15)
13 Maio 2007
Bento XVI se despede do Brasil

"Senhor Vice-Presidente:
Ao deixar esta terra abençoada do Brasil, eleva-se na minha alma um hino de ação de graças ao
Altíssimo, que me permitiu viver aqui horas intensas e inesquecíveis, com o olhar dirigido à Senhora Aparecida que, do seu Santuário, presidiu o início da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.Na minha memória ficarão para sempre gravadas as manifestações de entusiasmo e de profunda piedade deste povo generoso da Terra da Santa Cruz que, junto à multidão de
peregrinos provindos deste Continente da esperança, soube dar uma pujante demonstração de fé em Cristo e de amor pelo Sucessor de Pedro. Peço a Deus que ajude os responsáveis, seja
no âmbito religioso que no civil a imprimir um passo decidido àquelas iniciativas, que todos esperam, pelo bem comum da grande Família Latino-Americana.
A minha saudação final, repassada de gratidão, vai para o Senhor Presidente da República, para o Governo desta Nação e do Estado de São Paulo, e para as demais Autoridades
brasileiras que tantas provas de delicadeza quiseram-me dispensar nestes dias.
sobremaneira a participação das próprias Nações nestes dias de reflexão, oração e compromisso pelo bem comum dos participantes a este grande evento.
Um particular pensamento de estima fraterna dirijo-o, com profundo reconhecimento, aos Senhores Cardeais, aos meus Irmãos no Episcopado, aos Sacerdotes e Diáconos, Religiosos e Religiosas, aos Organizadores da Conferência. Todos contribuíram para abrilhantar estas jornadas, deixando a quantos nelas tomaram parte cheios de alegria e de esperança - gaudium
et spes! - na família cristã e na sua missão no meio da sociedade.
Tende a certeza de que levo a todos no meu coração, donde brota a Bênção que vos concedo e que faço extensiva a todos os Povos da América Latina e do Mundo.
Muito obrigado!"
Abertura da Conferência de Aparecida

Bento XVI lembra a abolição da escravatura

Mensagem de Dom Raymundo ao papa Bento XVI
Estamos em festa, Santidade, por sua visita, pela realização, em terras brasileiras, da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe e pela canonização de Frei Antônio de Santana Galvão. Quis a Divina Providência que o primeiro santo brasileiro canonizado fosse oriundo da abençoada Guaratinguetá, pertencente à Arquidiocese de Aparecida.
Santidade, a solenidade de inauguração da V Conferência coincide com a festa de Nossa Senhora de Fátima, muito querida e venerada em todo o Brasil.
No dia dedicado à Mãe de Deus, que se manifestou em Fátima, comemoramos também, neste ano, o Dia das Mães. Que a V Conferência, sob a inspiração de Maria, seja uma luz a orientar a missão da mulher latino-americana e caribenha na implantação da civilização do amor em nossos países. Seja um corajoso grito a favor da vida, tão ameaçada nos dias atuais.
Relembramos hoje, no Brasil, a Abolição da Escravatura, início simbólico do processo de construção de uma sociedade em que a dignidade da pessoa humana se deve fazer respeitada e garantida por lei.
Santo Padre, a cor negra da imagem da Senhora Aparecida, retirada das águas do rio Paraíba em 1717, em pleno período escravagista no Brasil, não é, por certo, desprovida de significado. A devoção à Virgem Aparecida constitui, assim, importante fator de integração das diferentes etnias no Brasil.
Santidade, sua vinda a Aparecida para a abertura da V Conferência demonstra paternal afeto e amor à Igreja presente na América Latina e no Caribe e a nossos povos.
Em nosso continente, têm crescido o empenho missionário e a vitalidade de nossas comunidades, bem como das pastorais específicas e dos movimentos eclesiais. Os ministérios confiados aos cristãos leigos têm fortalecido e renovado a vida de nossas comunidades e estimulado os presbíteros a crescerem na consciência de sua identidade e missão específica. Em diversas circunscrições eclesiásticas, tem aumentado significativamente o número de seminaristas, sobretudo os diocesanos. São esses, Santo Padre, alguns expressivos sinais da vitalidade da Igreja de Jesus Cristo presente na América Latina e no Caribe.
Com humildade, reconhecemos também nossas limitações. Em nosso continente, muitos batizados não são suficientemente evangelizados. Sem a prática religiosa, sem inserção na comunidade, permanecem indefesos diante do proselitismo de certas pregações.
Temos envidado esforços por encontrar, métodos adequados para enfrentar determinados desafios pastorais, como a defesa da vida e da identidade da família, segundo o projeto de Deus.
Igualmente, temos nos empenhado em combater a permissividade moral, que impõe grandes danos a todos, especialmente às famílias, à juventude e à infância. Precisamos, ainda, atuar de modo mais insistente e eficaz junto aos meios de comunicação social, tornando-nos capazes de usá-los com competência na evangelização.
Reconhecemos que existe, no Brasil e em outros países da América Latina e do Caribe, esforço sincero das autoridades para diminuir os contrastes entre riqueza e pobreza, bem como para corrigir as distorções na distribuição dos bens. É forçoso, porém, verificar que estamos longe de resolver nossas graves questões sociais, entre tantas outras, a miséria e a violência.
Esperamos que a V Conferência resulte, em âmbito continental, em ardorosa e fecunda
missão para anunciar, em todas as nações latino-americanas e caribenhas, Jesus Cristo,
único Salvador do mundo. Estamos certos, Santidade, de que sua palavra orientadora muito
nos iluminará e fortalecerá nessa tarefa.
Com a nossa gratidão por sua presença, Santo Padre, expressamos-lhe fidelidade, obediência e afeto filial e pedimos a sua benção apostólica para todo o povo brasileiro.
Missa de abertura da Conferência de Aparecida
12 Maio 2007
Papa reza o Rosário na Basílica, em Aparecida
Um dia depois de pedir, na Catedral da Sé, aos bispos que observem com cuidado a formação de novos padres, Bento XVI exaltou o espírito de renúncia do clero. "Quantos desafios, quantas situações difíceis enfrentais, quanta generosidade, quanta doação, sacrifícios e renúncias!".
Bento XVI citou um trecho dos Atos dos Apóstolos para pedir especificamente aos seminaristas que sejam “homens de boa reputação”. “Lembrai-vos que o seminário é o ‘berço da vossa vocação e palco da primeira experiência de comunhão’”, completou o Papa.
Fiéis de Potim se alegram com passagem do papa
Fazenda da Esperança: "a esperança não decepciona"
Em seu primeiro discurso, o pontífice citou Romanos (capítulo 5, versículo 5), dizendo que “a esperança não decepciona”. Foi um discurso muito denso e reflexivo, mas ao mesmo tempo bastante atual, uma vez que trouxe temas bíblicos para o cotidiano dos jovens em recuperação. Mais uma vez, o Papa pediu orações para a V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho e finalizou abençoando as irmãs enclausuradas que estavam presentes na Fazenda.
Em ambiente de silêncio e respeito todos escutam atentamente aos testemunhos.
Antes de começarem os testemunhos um grupo de dança se apresentou para o Papa. Após uma apresentação musical e teatral elaborada e organizada pelos moradores da Fazenda, quatro jovens, de diferentes lugares do mundo, contaram ao pontífice suas experiências de recuperação após ter enfrentado o vício das drogas. O primeiro, Roland, um alemão luterano que fundou a primeira Fazenda fora do Brasil, nas Filipinas, disse ter consagrado sua vida na família da Fazenda, onde decidiu permanecer como voluntário. “Meus pais e amigos me questionaram, mas Deus queria isso de mim”, disse ele. Através da vivência cultural na Fazenda, o jovem disse ter também alcançado “uma alegria maior”.

Logo depois, foi a vez de Alexey, um jovem russo ortodoxo contar sua experiência. “Minha vida era um pesadelo; sentia dores fortes por todo o corpo”, relatou. Internado quatro vezes, o jovem russo considerou ser a sua última esperança tentar a recuperação em uma fazenda no Brasil. Para tomar a decisão definitiva, ele disse ter conversado com outros jovens que passaram pela fazenda. Hoje, em recuperação, ele disse estar muito alegre em presenciar, com sua esposa e os outros russos do local, aquele momento especial.
A terceira a falar foi Silvya, uma jovem alemã de Berlim que tentou o suicídio cinco vezes antes de iniciar seu processo de recuperação. Sofredora de bulimia e anorexia, ela foi hospitalizada ao alcançar o peso de 53 quilos. Ao visitar a fazenda pela primeira vez, em setembro de 2006, ela traçou como meta voltar a se alimentar normalmente. “Hoje, me aceitando como sou, tenho-me como luz para as outras meninas em Berlim. Não existe felicidade maior do que dar a luz ao seu irmão”, disse a jovem.
Por último, o brasileiro Ricardo Ribeirinha, de família adotiva católica, confessou ter trocado os brinquedos, o sorriso e a liberdade pelo mundo das drogas. Em 26 de outubro de 1991, ao levar dois tiros, o jovem precisou de ajuda. E a encontrou na simplicidade do Evangelho com os companheiros da fazenda. Ao ter sua rotina equilibrada, o jovem percorreu países como Itália, Guatemala, México e Suíça, “sendo testemunha da palavra aos irmãos”. “Há seis anos em recuperação, tenho a dor de não ter meus amigos para celebrar a vida”, lamenta. Hoje o jovem é coordenador de políticas de prevenção de drogas para o governo do Tocantins.
Quando falou pela segunda vez, Bento XVI provocou a reflexão dos traficantes de drogas, relembrando o mal que esses fazem aos dependentes e à sociedade. O Santo Padre agradeceu a todos os que colaboram material e espiritualmente para a manutenção da obra social Nossa Senhora da Glória e abençoou novamente aqueles que trabalhavam nela. Ele lembrou aindados grupos de Alcoólicos Anônimos (AA), Narcóticos Anônimos (NA) e da Pastoral da Sobriedade. Finalizando, pediu a bênção de Santo Frei Galvão e Santa Crescência a todos os envolvidos direta e indiretamente com o projeto. Leia a mensagem
Para coroar a cerimônia, o Papa Bento XVI agradeceu a todo o trabalho desenvolvido e destinou 100 mil dólares à fazenda. Recebeu então o abraço de representantes das fazendas da Ásia (Filipinas), África, Europa Ocidental (Alemanha), Europa Oriental (Rússia), América Central (México e Guatemala), América Latina (Argentina e Paraguai) e, para finalizar, o Brasil – que tem ao todo 33 fazendas espalhadas por todo o território. Muitos presentes foram entregues ao Santo Padre durante todo o evento. Entre eles, um exemplar da Bíblia especial da Fazenda, que já alcançou a meta de 45 milhões de exemplares distribuídos em 153 línguas por todo o mundo. Ao final da celebração o Papa passou a pé pelo corredor central cumprimentando todos os jovens que se colocaram próximos às grades de segurança.
Visita à Fazenda da Esperança
Dirigindo-se às 200 irmãs clarissas reunidas na capela o Papa Bento XVI afirmou que a intercessão delas tem poder para conseguir dos céus que se quebrem os grilhões das drogas que levam os jovens à dor da morte.
Seis mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, aguardavam, por volta das 10h deste sábado (12), a visita do Papa Bento XVI à Fazenda da Esperança. O centro de recuperação de dependentes químicos e álcool localiza-se em a 15 km do Centro de Guaratinguetá, a 176 km de São Paulo.
Estão presentes pessoas de todo o Brasil e de unidades de fora do país. O centro reúne 300 jovens que estão em tratamento. Outras 1,5 mil pessoas já recuperadas também acompanham a visita na fazenda.
O Papa chegou à Fazenda por volta das 11h.
Foto: Reprodução TV
Papa em Aparecida
Bento XVI fala aos bispos na Catedral da Sé
11 Maio 2007
Papa se despede de São Paulo
Gilberto Kassab disse que a cidade também está feliz por tê-lo recebido. Além disso, ele percebe a alegria brasileira no contato pessoal que o Papa teve com muitos fiéis. "São Paulo é a terceira maior cidade de católicos em todo o mundo, depois de Cidade do México e Guadalajara, e podemos sentir no semblante dos paulistas a satisfação de ter recepcionado Bento XVI em nossa cidade.”
Ao entregar as chaves de São Paulo ao Papa, Kassab pediu uma bênção muito especial para a cidade, que, segundo o prefeito, trará esperança, força para superar os desafios e paz.
Depois de se despedir do prefeito Gilberto Kassab e das autoridades municipais de São Paulo, o Sumo Pontífice pousou em Aparecida no final da sexta-feira, dia 11. Ele circula entre os fiéis, que o recebem com muito carinho.
Missa de canonização de Frei Galvão
Por volta de 1h30 da manhã, com a liberação das catracas, milhares de pessoas já estavam no local preparando-se para iniciar a vigília com orações e cânticos de louvores. Às 6 horas, os padres Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, e Marcelo Rossi, da diocese de Santo Amaro/SP, conduziram durante uma hora momentos de orações e louvores, encerrando a vigília com uma mensagem ao Papa Bento XVI, o mensageiro de Deus, cantando juntos a música Como são Belos os Pés do Mensageiro que Anuncia a Paz. Muitos montaram barracas para se proteger do frio e aguardar a chegada do papa.O Papa Bento XVI chegou ao Campo de Marte por volta das 9h, para a celebração de canonização do beato Antônio de Sant'ana Galvão, agora o primeiro santo nascido no Brasil. A celebração reuniu mais de um milhão de fiéis. Ao chegar no Campo de Marte, Bento XVI passeou pelo meio da multidão dentro do papamóvel, de onde saudou e abençoou o público. O veículo deu uma volta dentro do Campo de Marte.

Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, abriu a celebração com um discurso sobre Frei Galvão e a fé do apóstolo Paulo. "São Paulo é uma cidade dinâmica, acolhedora e religiosa, em que viveram pessoas santas como Santa Paulina, o Beato Mariano e Frei Galvão. O Frei Galvão, por exemplo, marcou a fé dos brasileiros com incansável testemunho de fé, caridade e dedicação missionária, com a vida guiada pelo Evangelho", disse.
O arcebispo de São Paulo completou que a Igreja, nesta celebração, confirma que Frei Galvão foi um autêntico discípulo e missionário de Jesus Cristo.
Ao longo de seu pronunciamento, Dom Odilo lembrou ainda dos jesuítas que criaram nossa cidade, conferindo-lhe um forte espírito religioso, de Paulo, que emprestou seu nome para batizá-la, e de José de Anchieta.

"Declaramos e definimos como santo o beato Antônio de Sant'Anna Galvão, o inscrevemos na Lista dos Santos e estabelecemos que em toda a igreja ele seja devotamente honrado entre os santos", disse o pontífice. Em seguida, sacerdotes entregaram ao Santo Padre um pedaço de osso de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, que será utilizado como relíquia do religioso. Outros objetos também foram entregues a Bento XVI, como o cálice que Frei Galvão utilizava para consagrar o vinho em sangue de Cristo.
A missa de canonização começou com uma leitura sobre a vida do religioso que viveu em São Paulo. O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Dom José Saraiva Martins, e o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, fizeram o pedido formal de canonização de Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro.

O cardeal Saraiva Martins disse que a vida do religioso foi marcada pela "pobreza e penintência". "Até o fim de seus dias, foi por todos e para todos, homem da paz e da caridade", disse. Frei Galvão foi beatificado em outubro de 1998 pelo Papa João Paulo II. Em dezembro do ano passado, o Vaticano aprovou o primeiro milagre atribuído a Frei Galvão, a cura de uma menina de quatro anos. No início da missa, Bento XVI recebeu um cálice de presente de um bispo que leu uma mensagem ao pontífice.
foto: G1
Enzo, 8 anos, filho da miraculada Sandra Grossi de Almeida, recebeu das mãos de Bento XVI o Corpo de Cristo durante a missa de canonização de Frei Galvão, cuja intercessão permitiu que ele nascesse. A mãe dele, que também recebeu a Eucarisitia do Santo Padre, tinha o útero bipartido e graças à intercessão de Frei Galvão, conseguiu dar à luz a Enzo. Esse milagre foi um dos que
contribuíram para que hoje o religioso fosse anunciado como Santo Antônio de Sant'Anna Galvão. Emocionada após a missa, Sandra comentou: "Recebi a graça de beijar o anel do papa e de ver meu filho recebendo a primeira Eucaristia das mãos do Santo Padre."
Leia a homilia na íntegra
À tarde, Bento XVI se reunirá com os bispos brasileiros na Catedral da Sé, em um evento fechado, e parte de helicóptero para Aparecida, para o início da Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe.
Texto: G1 e Secretaria Executiva Visita do Papa
Fotos: Giorgio Sinestri (comunhão de Enzo, do site www.visitadopapa.org.br)
10 Maio 2007
Encontro do papa com os jovens
Nesta quinta, dia 10, o papa encontrou-se com a juventude no estádio do Pacaembu e ouviu os apelos dos jovens para que a Igreja Católica ajude o país no combate ao desemprego e à melhoria da educação.Durante o encontro, música e momentos de animação marcaram os momentos que antecediam a chegada do papa, que entrou no papamóvel pontualmente às 18h. Pe Zezinho com alguns membros do Grupo Ir ao Povo e do Cantores de Deus cantaram duas músicas, a última fazendo referência à Amazônia. No encerramento do encontro, os cantores Eugênio Jorge e Adriana cantaram "Ninguém te ama como eu".
Bento XVI se encontra com líderes de outras religiões

“Queremos reafirmar a estima pelas outras confissões”, diz o padre Marcial Maçaneiro scj, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o Diálogo Ecumênico e Inter-religioso. A CNBB adotou três critérios para fazer os convites. A idéia, segundo padre Marcial, era privilegiar organizações eclesiásticas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), entidade ecumênica que atua há 25 anos.
Por esse critério, verão o Papa: Walter Altmann, pastor-presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e dirigente do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), d. Maurício Andrade, bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana, reverendo Manoel Miranda, da Igreja Presbiteriana Unida, e Antônio Bonzoi, da Igreja Cristã Reformada. Também foi chamado d. Damaskinos Mansour, arcebispo metropolitano da Igreja Ortodoxa Antioquina - que não é do Conic, mas cujo patriarcado tem bom diálogo com a Santa Sé.
O rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP), e o sheike Armando Hussein Saleh, representante dos muçulmanos, são considerados pela CNBB “interlocutores históricos”. O pastor luterano Carlos Möller também vai, na condição de presidente do Conic.
Paz, juventude e família: temas da conversa do papa e Lula
Os biocombustíveis também foram discutidos, como forma de resgatar os países da África da pobreza. Outros temas debatidos foram a juventude, a educação e a solidariedade internacional.
Segundo assessores da presidência, o Papa teria ficado "fascinado" com a conversa.
Depois do encontro, Lula carimbou o selo de comemoração à visita do Papa e entregou exemplares ao próprio pontífice, ao governador e ao ministro das Comunicações Hélio Costa.
Bento XVI deixou o Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, em direção ao Mosteiro de São Bento, no Centro de São Paulo. Ao 12h30, o líder da Igreja Católica vai se reunir com representantes de outras religiões e, em seguida, vai almoçar com representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

