O Sagrado Coração de Jesus

by Portal DEHON Brasil 14. junho 2009 11:14
 

Na próxima sexta-feira, celebraremos a festa do Coração amantíssimo de Jesus. Chamá-lo de “amantíssimo” é até uma redundância, porque, em se tratando de Jesus, o Coração é, evidentemente, pleno de amor, de misericórdia e de bondade. Estas inesgotáveis riquezas, conforme a expressão de São Paulo (cf. Ef 3,8), como que transbordam, jorram sobre toda a humanidade. Este é o tema da nossa reflexão.

Ao considerarmos o Coração de Cristo, não estamos nos referindo ao órgão físico, embora ele o tenha também, enquanto integrante de sua natureza humana. A propósito, considero melhores as imagens que não retratam esse Coração saliente sobre o peito, mas só o insinuam, através do lado perfurado pela lança. Aqui, tomamos o coração como centro explicativo da pessoa. Quando se diz que uma pessoa “tem bom coração”, isto traduz a essência do que ela é. Portanto, aprofundar o conhecimento sobre o Coração de Jesus significa adentrar sua própria “personalidade”.

É interessante notar que essa devoção nasce no momento em que o Coração de Jesus é transpassado, no alto do Calvário, segundo nos narra o evangelista São João (cf. Jo 19,34-35). Mais tarde, chega às primitivas comunidades, é aprofundada pelos antigos Santos Padres e se estende ao longo da Idade Média. Quando os Cruzados foram à Terra Santa, onde tiveram maior contacto com a humanidade de Cristo e com os detalhes de sua vida, achegaram-se mais diretamente ao seu Coração. Sobre Ele nos deixaram reflexões lindas e profundas, tanto teológicas, quanto exegéticas e espirituais.

Nos séculos posteriores, foram surgindo Congregações, Associações e Movimentos inspirados, exatamente, no mistério central do amor de Cristo, que é o seu Coração. Além disso, centenas e centenas de obras sociais pautaram suas iniciativas, segundo o modelo da misericórdia que emana desse Coração.

Diversas passagens da Sagrada Escritura revelam os tesouros do amor divino. Ainda no Antigo Testamento, o profeta Isaías nos fala das fontes que jorram e saciam qualquer sede: “Vós tirareis com alegria água das fontes da salvação” (Is 12,3). O tema da sede é muito profundo na Bíblia, um tema que realmente nos leva a refletir sobre o dom do amor de Deus e a sede que esse amor faz sentir em nosso íntimo, pois esse dom manifesta-se em plenitude através do Coração de Cristo. Ele mesmo convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37)... e promete, conforme suas palavras à samaritana: “Aquele que bebe desta água terá sede novamente; mas quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede. Pois a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água, jorrando para a vida eterna” (Jo 4,13-14).

Sede de quê? Todos temos sede do infinito. Nada é capaz de nos saciar nesta vida. “Até os dias mais bonitos, têm o seu ocaso”, dizia Santa Teresinha. Tudo o que se relaciona à realidade material, por mais belo que seja, tem o seu termo, o seu esgotamento... e o seu custo. Por isso, a sede não pára. É uma sede de valores perenes, que possam alimentar a paz e a alegria verdadeiras, dentro e fora de nós. Todos ansiamos por isso e, muitas vezes, não encontramos saciedade.

Freqüentemente, estamos cercados por tanta tristeza, que ela parece, até, nos contagiar. Corremos o risco de ficar abatidos e transtornados pela tristeza dos outros, quando nos reconhecemos carentes das palavras e da força para consolá-los. Entretanto, sempre podemos, e devemos, conduzi-los a olharem para o Coração transpassado do Senhor. Esta é a fonte da qual podemos haurir tudo o que supra nossas carências e socorra nossas misérias.

O texto fundamental, para compreendermos como o Coração de Jesus cuida de nós, é a passagem do Evangelho de São Mateus: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas” (Mt 11,28-29).

O Cristo se apresenta como Mestre em várias oportunidades, mas aqui Ele ensina a partir da sua própria realidade interior, que se evidencia como modelo perfeito para nós: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração”. Quer dizer, seu Coração, sua identidade, sua personalidade sensível sintoniza, numa profunda empatia, com todos os que sofrem, os que se encontram em situação lastimável de desânimo e de cansaço, em perspectiva de derrota diante dos desafios da vida.

“O meu Coração é manso e humilde”, isto é, coloca-se ao rés do chão, nivelando-se a nós. Por isso, aquele que se achega a Cristo Jesus, com confiança, vai colher desse encontro a mansidão, a doçura, a ternura que brotam do seu Coração, transpondo-as para a própria vida e a vida dos outros. Ficará mais aliviado, porque não se pode chegar perto de Cristo sem experimentar a libertação dos jugos que sobrecarregam e escravizam. Sentirá a leveza, o descanso, a serenidade, que são características do próprio Mestre divino.

Por bondade infinita, Jesus nos aplica os efeitos vivificantes do amor que brota de seu Coração. Muitas vezes, porém, nem conseguimos saber o que é bondade, porque bondade não se define, mas se experimenta, desde uma saudação, um aperto de mão, até às coisas maiores que a pessoa possa dar. As crianças são tão bondosas, tão cheias de carinho!... Eu me pergunto: Por que, freqüentemente, se perde isso, pela vida afora?

Quando falamos do amor verdadeiro, será que ele se resume na frase: “Ah, Senhor, eu te amo”? Então, vem a grande pergunta: Mas o que é, afinal, o amor que damos, ou pensamos dar? Será o não pensar em si mesmo? “Amar é dar tudo de si”, dizia Santa Teresinha, “e dar-se completamente ao outro”, na doação até dolorosa, como aquela que Cristo fez durante toda a sua vida.

Transpassado por um gesto absurdo do Centurião Longino, seu lado é atravessado com uma lança, e do pobre Coração, já desfalecido, ainda jorram um pouco de água e um pouco de sangue, que são os símbolos da doação última ou, como diziam os Santos Padres, são símbolos dos Sacramentos e da própria Igreja nascente. Somente São João relata esse fato, mostrando-nos Jesus morto, por amor e de amor (cf. Jo 19,34-37).

Olhemos, portanto, para a chaga aberta do Cristo no alto da cruz – a imagem mais perfeita do amor que brota do seu Coração. Olhemos e não deixemos, jamais, de fazê-lo. Tomando as palavras do profeta Zacarias, São João diz: “Olharão para Aquele que transpassaram” (Jo 19,37 e Zc 12,10). Lá se manifesta a plenitude do amor: o Pai, que dá o próprio Filho, e este, que obedece à vontade do Pai, em mútua doação amorosa, derramada sobre a humanidade: o dom do Espírito Santo.

O Coração não é apenas um símbolo; é epifania da infinita misericórdia de Deus, gesto profético que se cumpre, irrompendo na realidade humana. Esse Coração foi despedaçado, para colocar tudo o que possuía à nossa disposição. Dele brotou a nossa Salvação. Temos que olhar para Ele. O amor verdadeiro - essa sede que não conseguimos estancar, a não ser ao contacto do próprio Coração de Cristo - foi, certamente, a experiência que viveram os mártires e os grandes santos: morreram de amor, num martírio de amor, como tanto o desejava Santa Teresinha de Lisieux.

Lembro-me, ainda hoje, do sermão que o Arcebispo de Aparecida, D. Geraldo Morais Penido, fez quando minha mãe foi sepultada. Ele me convidou a olhar para aquele corpo sofrido de Mamãe, que chegara à idade de 90 anos, apesar de décadas de sofrimento, devido, particularmente, a um câncer. E me disse: “Olhe para a sua mãe e veja o Coração de Cristo, pois este é o único gesto que irá consolá-lo”. Tenho buscado honrar esse Coração, através da doação de minha vida, e reconheço que somente o faço pelas graças especiais de que tenho sido cumulado. Vendo em minha mãe o Cristo crucificado, compreendi que seu sofrimento se transformara em abertura, em fonte inesgotável de felicidade eterna.

No Coração de Cristo, e a Ele associado o Coração Imaculado de Maria, revela-se o mistério de toda a obra da Salvação (cf. Cl 1,26): a Eucaristia e os demais Sacramentos, o Sacerdócio e a própria Igreja nascem desse gesto de doação do seu supremo amor.

Cardeal Eusébio Oscar Scheid

 

PÁGINA ESPECIAL "CORAÇÃO DE JESUS" - www.dehonbrasil.com/scj


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Planeta não suporta crescimento ilimitado

by Portal DEHON Brasil 13. junho 2009 11:54

A farra do consumo acabou. Os recursos do planeta Terra são limitados e não suportam um sistema de crescimento ilimitado, como se apresenta o capitalismo. O modelo econômico é baseado em produção e consumo infinitos.

 

O alerta vem de pensadores, de várias partes do planeta. “É preciso renunciar ao crescimento enquanto paradigma ou religião”, proclama o economista, sociólogo e antropólogo francês Serge Latouche. A alternativa é essa: decrescimento ou barbárie, aponta.

 

“A premissa de crescimento precisa ser rompida. Ela não responde a uma civilização que habita um planeta que é um só e que possui uma capacidade de suporte. Essa é uma impossibilidade”, diz o professor Paulo Durval Branco, em entrevista ao Instituto Humanitas (IHU) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

 

A premissa de crescimento precisa ser rompida. “Ela não responde a uma civilização que habita um planeta que é um só e que possui uma capacidade de suporte”, salienta Duval Branco.

 

Se a gente olhar para esse pequeno planeta chamado Terra, percebe-se que a natureza funciona em sistema circular. O economista e professor da Universidade Católica de São Paulo, Ladislau Dowbor, explica o sistema circular:

 

- Os pássaros comem as frutas e espalham as sementes; as folhas que caem são incorporadas ao solo que, por sua vez, se torna fértil e permite o surgimento de outras plantas, ou seja, todo o sistema é circular, de reutilização dos diversos recursos existentes. A vida está baseada nisso.

 

O sistema econômico não é circular, mas linear. “Pegamos recursos naturais, transformando-os em uma indústria, consumimos e jogamos no lixo sob a forma de plástico. Com isso estamos acabando com o petróleo do planeta e não estamos recolocando de volta as bases energéticas utilizadas, assinala.

 

Esse modelo não funcionará por muito tempo, pois os recursos naturais se esgotam e as mudanças climáticas podem colocar a economia e a sociedade diante de uma catástrofe planetária, frisa ao IHU o ambientalista Henrique Cortez.

 

A crise financeira que explodiu nos Estados Unidos no ano passado mostra que ela não se limita a aspectos financeiros, mas também diz respeito à destruição ambiental e à injusta distribuição da renda. Pensadores defendem uma nova sociedade, com um novo modelo econômico, que respeite os limites ecológicos do planeta.

 

O consumo, afirma Cortez, é um ato político e econômico e, nesse sentido, “deve ser ético, responsável e sustentável”. Durval Branco vê na proposição de uma economia ecológica ou da ecoeconomia um caminho para se discutir um modelo pós-crise. Nesse modelo, o processo de produção seria regido pelo ecossistema, pela biosfera.

 

Latouche fala de uma sociedade ecossocialista e mais democrática.  “Queremos um desenvolvimento que seja sustentável, economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente responsável”, define Cortez, que se declara um ecossocialista, embora não tenha qualquer proximidade com a esquerda.

 Não pode haver um consumo ético a menos que todos os cursos sociais e ambientais sejam incluídos no preço, frisa a economista e consultora inglesa Hazel Henderson.

Trata-se de uma mudança do paradigma produtivo e de questionamento da sociedade de consumo atual, diz a professora Isleide Arrua, da Fundação Getúlio Vargas, na entrevista ao IHU.

 

O consumo ético, afirma, levanta a bandeira na defesa de questões relacionadas ao meio ambiente, ao comércio justo, a um novo modelo de sustentabilidade em seu sentido mais amplo.

 Isleide entende que a humanidade talvez esteja vivendo três grandes tipos de esgotamento, que, juntos, poderiam provocar mudanças: o esgotamento dos recursos naturais, do mercado de produção e consumo de massas, e o esgotamento de “um certo imaginário social que se construiu em torno da idéia de que consumo seria sinônimo de felicidade”.

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Ter ou ser? Jovens de baixa renda investem na aparência para se sentirem incluídos

by Portal DEHON Brasil 7. junho 2009 22:31

Diante de um cenário instável, os jovens de baixa renda procuram caminhos que permitam que eles se sintam incluídos na sociedade. Para muitos, consumir é um dos meios pelos quais eles tentam construir uma identidade. "Os jovens querem se sentir reconhecidos e valorizados e é isso que buscam no consumo", explica a cientista social Paula Nascimento.

Paula realizou uma pesquisa para o seu mestrado na USP (Universidade de São Paulo), a fim de verificar as preferências de consumo de um determinado grupo de jovens da periferia da Zona Oeste da cidade de São Paulo e os motivos que os levam a consumir determinado produto. Embora a amostra tenha sido pequena, a cientista consegue identificar um perfil de consumo mais geral desses jovens.

Ela constatou que, por conta das condições em que vivem, esses jovens gastam mais com objetos pessoais, vestuário e eletrônicos. "Roupas, tênis e aparelhos eletrônicos podem ser adquiridos mesmo em uma situação de vida instável. Além disso, lhe trazem um retorno imediato, ou seja, ele veste ou usa e já é reconhecido por isso", explica.

"Ter" ou "ser"

A preferência por esse tipo de produto pode ser explicada pela própria situação de exclusão na qual vivem esses jovens. Paula explica que esses objetos denotam uma marcação de posição social. "Como parte da sociedade, esse jovem já percebe de forma mais ou menos clara a sua própria imagem sendo desvalorizada", constata.

Assim, para tentar fugir dessa imagem, o jovem de baixa renda acaba investindo mais em bens de consumo relacionados à aparência. "Em nossa sociedade, a aparência é muito valorizada, na medida em que tende-se a valorizar mais o 'ter' que o 'ser'", explica Paula. "Os jovens, que ainda estão em busca de seus pares e mesmo à procura de uma identidade, necessitam ainda mais desses objetos para sentirem-se reconhecidos e incluídos".

Para Paula, esse caminho não é escolhido de forma arbitrária. Ela explica que a sociedade traça uma imagem pejorativa desse jovem, associando suas más condições econômicas à violência, por exemplo. Assim, um dos poucos caminhos acessíveis para que esse jovem não seja visto de uma maneira negativa pela sociedade é a construção de uma imagem pessoal, a partir de bens de consumo.

Educação ainda não é acessível

Mesmo diante do aumento do acesso à educação, Paula constata que as condições de muitos jovens ainda não permitem que frequentem um curso superior. "Nessas condições em que vivem, é difícil fazer planos para o futuro". Apesar disso, há um interesse crescente desses jovens em melhorar sua colocação profissional. Ainda assim, a cientista social acredita que, na hora de procurar um trabalho, esses jovens esbarram no preconceito.

"Devemos lembrar que o desemprego entre os jovens e as taxas de evasão escolar ainda são muito altos no Brasil. Esses problemas atingem a sociedade em geral, mas são, sem dúvida, mais graves entre aqueles que compartilham uma situação socioeconômica menos privilegiada", analisa.

Sobre a pesquisa: a pesquisa realizada por Paula foi feita com os jovens do Grupo de Assistência Social Bom Caminho, da Zona Oeste da capital paulista para seu mestrado na USP. A instituição trabalha com 160 jovens de baixa renda com idade entre 13 e 21 anos. A cientista social os entrevistou durante quatro anos sobre consumo. Fonte: Yahoo!News - Finanças

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