Algumas coisas têm chamado à atenção as pessoas nos últimos tempos. De maneira especial, todos estamos começando a cultivar preocupações justificadas com relação ao ambiente natural, à natureza, à ecologia, à vida, à água, às condições adequadas para viver dignamente.
Ao menos, é-nos permitido aventar a hipótese de que, aos poucos, começamos a complicar nosso jeito de viver. Desaprendemos a viver com o necessário. Deixamos de viver de uma maneira simples. Uma criança que nasce em um país tido como rico ou desenvolvido tem um custo 20 (vinte) vezes mais elevado do que uma criança que nasce em nação pobre. Por que essas contradições? Porque, quando se concentra muita riqueza em mão de poucas pessoas, a tendência será de gastar (isso mesmo gastar!) recursos com superficialidades ou coisas absolutamente desnecessárias. A lógica será sempre bastante cruel: o que sobra para um, falta para outro. E os desequilíbrios e as disparidades vão aumentando.
De certo modo, parece que falta-nos coragem para contemplar as manhãs alegres, gratuitas, serenas, de calmas alvoradas, que há em nossas vidas. Corremos atrás de tantas coisas e acabamos esquecendo o que essencial: viver. E, viver parece ser tão simples. Quem nos ensinou a complicar tanto assim as coisas? Quem nos ensinou ou nos levou a inverter o ritmo da vida: ao invés do essencial, priorizamos o acessório, o supérfluo e superficial?
Não se trata de condenar o progresso, as riquezas, o desenvolvimento, as conquistas da ciência e do homem. Trata-se apenas de perguntar por quê? e para quê? tudo o que existe. Cabe a nós, seres humanos, dar sentido às atividades do homem no mundo e mesmo decidir pelo destino dos bens que somos capazes de produzir. Produzir apenas para acumular é resultado de desatino. Mas, não é isso que está sendo feito? Se não, por que falta tanto a tanta gente?
Os maiores problemas não surgem porque produzimos pouco. Os problemas surgem porque não aprendemos a criar leis de distribuição dos bens produzidos. Não sabemos dar destino aos bens. E ficamos assustados e temerosos quando aqueles que sentem fome ameaçam explodir os celeiros e os bancos retentores das riquezas, que também pertencem a eles.
Parece mesmo que a solução seja viver de maneira mais simples para viver melhor e haver condições para que mais gente possa viver. E, então, nosso “riso guri” se estampará em muitos rostos e não faltará “mais nada nesta calma alvorada para andar por aí”. E viver!
Pe. Nestor Adolfo Eckert, scj