PÁSCOA: PASSAGEM PARA VIDA NOVA!

by Portal DEHON Brasil 9. abril 2009 11:59

O ritmo de nossas vidas é marcado por passagens. Estamos em passagens contínuas. Se observarmos a Natureza, veremos quantas passagens há. O nascer e o pôr do sol, todos os dias, parecem ser novos e diferentes. Cada onda de mar que observamos, silenciosa e atentamente, na praia, quebra-se de modo novo e diferente. As flores e as verduras que germinam, brotam, nascem e florescem são sempre uma novidade. A cada noite parece que a lua tem novidades para revelar-nos. As estrelas parecem brincar, trocando de posições e brilhos. O pássaro que nos acorda com seu canto e trinar, parece trazer melodias e tonalidades novas para cada amanhecer. O sorriso das pessoas, que nos cercam e a quem queremos bem, passa a ser diferente a cada novo amanhecer... E nosso dia-a-dia parece começar e terminar de modo muito semelhante. Ou é apenas impressão nossa? A vida é nova ou simplesmente se repete? Ou achamos que é mais cômodo repetir “o que deu certo”? Assustamo-nos diante do novo? Tememos o novo e suas surpresas? Em uma escola, se observamos o comportamento das crianças, dos adolescentes e jovens, veremos que aí se imita a natureza. Cada dia começa de modo novo e até surpreendente. Não sabemos como vai ser o dia. Temos de estar preparados para as surpresas de todos os tipos. E saber administrá-las. Em certos momentos, é muito difícil ser sábio e equilibrado. O ano 2009 começou ao sabor das novidades e surpresas de todos os dias e mais algumas. Economicamente, o mundo está assustado e procurando saídas para os problemas que inventou. A Campanha da Fraternidade provocou-nos para abrir os olhos ao sério e preocupante problema da segurança pública. Parece que há gente brincando de matar pessoas e isto é um “prato cheio” para os meios de comunicação de massa. E, acabar com a vida de alguém passa a ser “normal”. Está-se em busca de serenidade para resolver os problemas; a segurança e seriedade no defender posições e decisões tomadas e assumidas; a abertura para a aceitação de novas propostas; a responsabilidade nos momentos de criatividade e inovação... São momentos indicadores de vida nova que germina, nasce, brota, floresce e produzirá frutos. Que ao início de 2009 todos possamos beber no poço eterno da VIDA NOVA trazida pelo Ressuscitado. Que sejamos fontes dessa vida em nossas atividades e em nossos relacionamentos interpessoais. Que nossas famílias estejam alimentadas e saciadas por essa água da VIDA NOVA trazida e deixada por Jesus Ressuscitado. Que nossas escolas, viveiros da vida, sejam vertentes da vida em plenitude, que jorra do Coração de Jesus. Aos agricultores, que semeiam vida diariamente; aos trabalhadores das indústrias e do comércio, que ajudam a sustentar a vida de tantas pessoas; aos profissionais da educação, aos pais, cultivadores de vida; aos servidores e às servidoras e a todas as pessoas de nossa comunidade, desejamos uma PÁSCOA cristã muito abençoada e feliz.

VIDA NOVA a todos!

Pe. Nestor Adolfo Eckert
naeckert@terra.com.br

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Liturgia Dominical

Contradições de uma vida solitária

by Portal DEHON Brasil 1. março 2009 13:37

Um poema anônimo, sem título, publicado pela revista espanhola Cristianisme i Justicia (no. 104/2001, p. 3) ilustra o quanto a simplicidade de vida pode ser questionadora para nossa realidade, quando vivemos em uma sociedade ávida por poder e supérfluos, por aparências e reconhecimentos, por títulos e monumentos. 

“Nasceu em uma pequena aldeia, filho de uma mulher da roça.
Cresceu em outra aldeia, onde trabalhou como carpinteiro até aos 30 anos.
Depois, e durante três anos, foi pregador ambulante.
Nunca escreveu um livro. Nunca teve cargo público.
Nunca teve família ou casa. Nunca foi à universidade.
Nunca viajou a mais de 300 quilômetros de seu lugar de nascimento.
Nunca fez nada que se associasse à grandeza.
Não tinha credenciais, a não ser ele mesmo.Tinha somente trinta e três anos quando a opinião públicase pôs contra ele.
Seus amigos o abandonaram.
Foi entregue a seus inimigos, e fizeram mofa dele em um julgamento.
Foi crucificado entre dois ladrões.
Enquanto agonizava, perguntando a Deus por que o havia abandonado,seus algozes dividiram entre si suas vestes, único bem que possuía.Quando morreu, foi sepultado em uma tumba emprestada por um amigo.
Passaram vinte séculos, e hoje é figura central de nosso mundo, fator decisivo do progresso da humanidade.
Nenhum dos exércitos que marcharam, nenhuma das armadas que navegaram,nenhum dos parlamentos que se reuniram,nenhum dos reis que reinaram,nem todos eles juntos, mudaram tanto a vida do homem na terracomo esta Vida solitária”. 

Convém dizer que o poeta anônimo está falando de Jesus Cristo. Em nossos tempos, marcados por incertezas e buscas, por encontros que resultam em desencontros ainda maiores, pela busca de sentido a nossas vidas, pelo significado que queremos encontrar em nosso trabalho, nas empresas, na atividade particular, no serviço público, afinal, na vida de cada um de nós e das comunidades, o “Solitário” se faz presente e dá sentido. Começando tempo de Quaresma, podemos refletir sobre o que de nossa vida deixaremos como Testamento aos outros.  

O poema nos faz refletir e pensar sobre a grande verdade de que o caminho para Deus não passa pelo Poder, nem pelo Templo, nem pelo Sacerdócio, nem pela Igreja, nem pelo Dinheiro (como hoje tantos em seu nome querem), nem pela Lei, sem sequer pela Estética, mas sim, pelos excluídos da história. Esta é a grande revolução. Por vezes, falta-nos a coragem profética da coerência para admiti-la, aceitá-la e continuá-la.  

É uma “revolução silenciosa” tão eficaz que muda a história de toda a humanidade. A revolução de alguém que não tinha soldados nem armas. Aliás, alguém que nada tinha. Suas vestes foram sorteadas. A tumba para cair morto, emprestada por um amigo. Suas palavras, guardadas apenas na memória e transmitidas pelos amigos mais próximos. Sua vida, exemplo seguido por tantas pessoas que realizaram seu projeto de existência. Sua ressurreição expressa em forma de vida plena, a grande verdade da história. 

E HOJE, POR QUE TANTO BARULHO EM NOME DE QUEM FOI O GRANDE SOLITÁRIO E SILENCIOSO DA HISTÓRIA? 

pe. Nestor Adolfo Eckert scj

naeckert@terra.con.br

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Liturgia Dominical

Quaresma, Cinzas e Fraternidade

by Portal DEHON Brasil 20. fevereiro 2009 13:23

Na próxima semana, a Igreja e a população, de modo geral, estarão celebrando a Quarta feira de Cinzas. Início do tempo litúrgico da Quaresma. Início, também, no Brasil, da Campanha da Fraternidade com o tema: Fraternidade e Segurança Pública. O lema que ilumina o tema da Campanha é: “A Paz é fruto da justiça” (Is 32,17).

A Quaresma é período no qual somos convidados a dar lugar para Deus em nossa vida! Muitas vezes, temos noção de que quaresma seja tempo de tristeza, tempo de andar de cabeça baixa etc. É também tempo para isso: reflexão, reconhecimento de nossa fragilidade, tempo de olhar ao nosso redor e perceber com andam as coisas em nossa vida. Mas, o fundamental é que na Quaresma consigamos “dar espaço” para que Deus aja em nós e transforme nossa vida.Daí, a importância da atitude de conversão. Por sermos à imagem e semelhança de Deus, é necessário estarmos abertos e sermos acolhedores “do jeito de Deus ser”. Abertura e acolhida: são duas atitudes que nos ajudam em nossa conversão. É neste sentido que o profeta Joel nos provoca: “Rasgai o coração e não as vestes” (Jl 2,12).

Quarta feira de Cinzas recorda-nos a fragilidade e as limitações de nossa vida. Recorda nosso esforço em dar sentido à nossa vida. Desperta-nos para a humildade e a fraternidade. Para a simplicidade e a bondade. Convida-nos a encontrar o nosso devido lugar na convivência com os outros. Colocamos cinzas sobre nossas cabeças, demonstrando que estamos dispostos a mudar de vida, se necessário. Temos disposição de “dar espaço para Deus”. Queremos preparar-nos para “celebrar de coração purificado o mistério pascal”. Por isso, ouvimos do celebrante a advertência: “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Fraternidade: infelizmente, ainda temos de fazer “campanhas da fraternidade”, porque não conseguimos ainda viver como irmãos e irmãs. A cada ano, por ocasião da Quaresma, a Igreja tem de lembrar-nos de que somos irmãos e irmãs e que há problemas entre nós que, necessariamente, têm de ser enfrentados e superados. Neste ano é-nos proposto refletir sobre o difícil caso da Segurança Pública. Como cidadãos e irmãos, temos todos o direito de viver em condições de segurança e tranqüilidade. Mas, não é isso que estamos vivendo. A insegurança impera.

O objetivo geral da Campanha de 2009 é “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos. A paz buscada é a paz positiva, orientada por valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao “outro” e a mediação pacífica dos conflitos, e não a paz negativa, orientada pelo uso das armas, a intolerância com os “diferentes”, e tendo como foco os bens materiais”.Fala-se em “Segurança Pública”, portanto, está envolvido poder, estão envolvidos governantes, que seriam os garantes da Segurança. E, quando se trata disso, temos medo. Muito mais que paz, vivemos um “equilíbrio de terror”. Isso não é humano.

A Igreja quer dar sua contribuição para que Segurança seja possível. “A Campanha da Fraternidade de 2009 quer ser o grande esforço da Igreja no Brasil para viver intensamente o tempo santo da Quaresma, constituindo-se como um extraordinário instrumento para que todos busquem e busquem a conversão e vivam um tempo e graça e salvação” (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Campanha da Fraternidade – texto base. 2009, p. 15).

pe. Nestor Adolfo Eckert scj
naeckert@terra.com.br

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