Estamos dopados...

by Portal DEHON Brasil 12. julho 2009 11:49
“O Brasil não pode continuar nas garras dessa gente. Nunca neste país a corrupção sangrou tanto e com tanta voracidade. A hora é de meter a lei no pescoço destes políticos resistentes à decência e à honestidade. Sem dó nem compaixão. Ou deixaremos ruínas e atraso para nossos descendentes”. Nestes termos, recebi mensagem via correio eletrônico.  (SANZONI, Renzo, via mensagem eletrônica). E, para ilustrar, Renzo continua: “Eis a capa da Revista Veja desta semana: basta de impunidade. Nós, as pessoas comuns, lembramos aos senhores feudais de Brasíia que: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” (CONSTITUIÇÃO, Art. 5º.). Exatamente é a sensação que temos: no Brasil, todo crime fica impune. Políticos desacreditados continuam a mandar e a beneficiar-se de tudo e de todos os modos. A corrupção, de maneira muito velada e matreira, instalou-se, institucionalizou-se e permanece intata. E, para que ninguém se dê conta do que está acontecendo, exploram-se, do modo mais deslavado e desavergonhado, certos momentos e fatos. Se não vejamos. Em um momento, foi o acidente com o Airbus, da Air France. Morreram pessoas, sim. Pessoas de bem, certamente. Pessoas com dinheiro e de renome, provavelmente. Ao mesmo tempo, morreram, de maneira bem mais trágica e desumana, muito mais cidadãos brasileiros e governo algum mexeu um dedo sequer para dar algum auxílio a algum ente que continua vivo e sofrendo. Por realidade semelhante passam os municípios de nossa região, atingidos pelos temporais. Ninguém recebeu centavo algum. As pessoas tiveram de “virar-se”, buscar ajuda, porque para Brasília elas não existem. Doping: Airbus nesses pobres e ignorantes! Quando esse doping não fez mais o efeito, veio o da Copa das Confederações. Verde- amarelo e histerismos de narradores aloprados e irresponsáveis neles! Em plenos dias de trabalho nas roças e fábricas, todos foram “convocados” a apoiar a seleção! É mesmo o maior e melhor país do mundo! Aqui tudo é festa! E sempre... Alguém paga por isso. Agora veio o doping da Copa do Brasil. Chegou-se ao auge da dopagem que em nada ficou a dever aos tempos da ditadura militar nos extremos de seus poderes ditatoriais. Como o campeão foi o time do presidente da república, os jogadores foram recebidos pelo mesmo com toda pompa. Doping nos pobres torcedores, que não compram leite para terem trocados para o ingresso de um jogo de futebol. Mas, são apoiados e consagrados pelo presidente! Para que coisa melhor? Quando em 1970, o então general, presidente de plantão da época, Medici conseguiu anestesiar “mais de 70 milhões em ação”, os hoje dopadores fizeram críticas. E críticas justas. Os campeões foram presenteados com carros por uns, com honras militares, por outros e com dinheiro e muito dinheiro por terceiros... E em 2009? Quem pagou passagens para que corintianos fossem recebidos pelo presidente? Recebidos pelo presidente, a troco de quê? Com que objetivo? Por qual razão? E, se o Internacional tivesse sido campeão da Copa do Brasil? Haveria algum interesse em receber os jogadores em Brasília? Os jornais e as emissoras de televisão do eixo Rio-São Paulo teriam algum interesse em dar alguma notícia? Certamente que não. Isso não tem efeito de doping. Mas, festejar Corinthians com o presidente deste pais, isso dopa muitos por algumas semanas. Mesmo que não tenham comida em casa... Só falta criar a “bolsa corintiana”. Se é que já não foi criada por ato secreto! O presidente tudo pode! Estamos todos dopados? A corrupção que é mostrada, provada e comprovada, que campeia solta pelos campos de Brasília, não nos incomoda? Somos corruptos passivos? E o último doping é Michael Jackson. Bem, deixa prá lá. É dose! Pe. Nestor Adolfo Eckert scjnaeckert@terra.com.br

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Reflexões | Padre Nestor scj

O "desenvolvimento" nos silencia e nos mata!

by Portal DEHON Brasil 7. julho 2009 13:57

Amigo(a), já fizeste ou tiveste a experiência de, à meia-noite, sozinho, totalmente sozinho, soltar um grito forte, com a toda a força dos teus pulmões e da tua garganta, e obtiveste como única resposta o silêncio, total e mortal? Ninguém te ouviu, ninguém te ouve, tu não existes para os outros. Tu não contas... Não és ouvido.

De outro lado, temos duas pessoas, homem e mulher, na mesma cama, muito próximos um ao outro. O que há entre os dois? Silêncio absoluto e total. Um não existe para o outro. Aliás, o outro não existe... Alguém está só e completamente só. O que há são apenas gritos silenciosos, mas que machucam profundamente e deixam marcas gritantes!

Gritar e não ser ouvido, ou, gritar para alguém, que está do teu lado, e que não quer ouvir nem responder, é frustrante?
Qual é o próximo passo? O medo, a angústia, o desespero, a depressão, a busca obcecada pela morte. Aniquilar-se. Ser nada. Por quê? Porque para o outro, para a outra pessoa, tu não existes. Triste sina e marca de nossos tempos de “desenvolvimento”! Não somos. Não existimos. Não significamos nada para os outros. Não somos nada para os outros.

No entanto, estamos “grudados”, “plugados”, “conectados”, “ligados” com outras pessoas. Mas, que nada significam para nós. Não existimos para essas pessoas. Somos apenas uma senha. E o que é uma “senha”? Apenas um código secreto, que só nós conhecemos e podemos, e temos direito de usar. Ainda morreremos por senhas! Porque nos isolamos!

A todo avanço tecnológico (leia-se “conhecimento construído”) aplicado à informática costumamos chamar de “desenvolvimento do século”. Mas, que desenvolvimento é esse, que isola e mata as pessoas em sua individualidade? Em sua personalidade? Em sua absoluta identidade única? Em sua singularidade?

Se teu grito solitário, à meia-noite, não obteve resposta, não te assustes. Coisas piores estão por vir. Hoje, as famílias já sentem forte o drama dos “órfãos do computador”, dos “pais sem filhos”. Eles são apenas produtos! Descartáveis, se for o caso. Irão para a casa do vovô, que ainda sabe contar estórias e lendas e encher a fantasia infantil; ainda sabe fabricar uma cuiazinha para chimarrão, que faz a diversão dos guris; sabe a história do passado, antes que viesse o “progresso”. Vovô ainda sabe como preparar um anzol, uma linha para traíra; conhece a isca certa para jundiá. Vovô sabe fazer um bodoque, fabricar e armar uma arapuca, sem comprar nada nas casas comerciais! Vovô faz milagres!

Se tu pesquisares na Internet, não encontrarás receitas de vida longa e feliz, tal como nos testemunham os casais que atualmente festejam 60, 70 anos de matrimônio. Ou não encontrarás nada que te dirá o que fazer e como viver para receber cantos de Parabéns de uma comunidade inteira pelos 90 anos de vida, e o “velhinho” lúcido, aceitando com toda alegria os cumprimentos dos mais jovens que lhe dizem: “Vovô, mais 90 anos!”. E ele, com toda a simplicidade que vida lhe ensinou, responde honesta e alegremente: ”Se Deus quiser!”

Parece ser hora de repensarmos nossos conceitos e nossas estratégias de desenvolvimento. O “desenvolvimento” que aí está, levar-nos-á à morte mais cedo do que nossos avós. E ainda achamos que eles, por não saberem manipular computador, não terem conhecimento de informática, não dominarem métodos informatizados de produção, de controle de estoques, de previsão de futuro, não entendem nada de “desenvolvimento”!

Podem até não entender mesmo. Mas, que entendem de vida e que são sábios, isso parece ser verdade. Diante deles, parecemos idiotas. E, lembremo-nos: quando um idiota e um sábio discutem, quem aprende alguma coisa é o sábio!

Pe. Nestor Adolfo Eckert scj
naeckert@terra.com.br

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Reflexões | Padre Nestor scj

Quem nos ensinou a complicar tanto as coisas?

by Portal DEHON Brasil 27. maio 2009 13:58

Algumas coisas têm chamado à atenção as pessoas nos últimos tempos. De maneira especial, todos estamos começando a cultivar preocupações justificadas com relação ao ambiente natural, à natureza, à ecologia, à vida, à água, às condições adequadas para viver dignamente.

Ao menos, é-nos permitido aventar a hipótese de que, aos poucos, começamos a complicar nosso jeito de viver. Desaprendemos a viver com o necessário. Deixamos de viver de uma maneira simples. Uma criança que nasce em um país tido como rico ou desenvolvido tem um custo 20 (vinte) vezes mais elevado do que uma criança que nasce em nação pobre. Por que essas contradições? Porque, quando se concentra muita riqueza em mão de poucas pessoas, a tendência  será de gastar (isso mesmo gastar!) recursos com superficialidades ou coisas absolutamente desnecessárias. A lógica será sempre bastante cruel: o que sobra para um, falta para outro. E os desequilíbrios e as disparidades vão aumentando.

De certo modo, parece que falta-nos coragem para contemplar as manhãs alegres, gratuitas, serenas, de calmas alvoradas, que há em nossas vidas. Corremos atrás de tantas coisas e acabamos esquecendo o que essencial: viver. E, viver parece ser tão simples. Quem nos ensinou a complicar tanto assim as coisas? Quem nos ensinou ou nos levou a inverter o ritmo da vida: ao invés do essencial, priorizamos o acessório, o supérfluo e superficial?

Não se trata de condenar o progresso, as riquezas, o desenvolvimento, as conquistas da ciência e do homem. Trata-se apenas de perguntar por quê? e para quê? tudo o que existe. Cabe a nós, seres humanos, dar sentido às atividades do homem no mundo e mesmo decidir pelo destino dos bens que somos capazes de produzir. Produzir apenas para acumular é resultado de desatino. Mas, não é isso que está sendo feito? Se não, por que falta tanto a tanta gente?

Os maiores problemas não surgem porque produzimos pouco. Os problemas surgem porque não aprendemos a criar leis de distribuição dos bens produzidos. Não sabemos dar destino aos bens. E ficamos assustados e temerosos quando aqueles que sentem fome ameaçam explodir os celeiros e os bancos retentores das riquezas, que também pertencem a eles.

Parece mesmo que a solução seja viver de maneira mais simples para viver melhor e haver condições para que mais gente possa viver. E, então, nosso “riso guri” se estampará em muitos rostos e não faltará “mais nada nesta calma alvorada para andar por aí”. E viver!

Pe. Nestor Adolfo Eckert, scj

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