Pode até parecer obsessão, mas insistimos sobre o problema da falta de alimentos no futuro. E, o que parece sério e importante, a culpa por essa falta é nossa! Sem sermos alarmantes, mas realistas, confiando em dados fornecidos pela Ciência e por estudiosos honestos e fidedignos, queremos apresentar aqui algumas informações. Trata-se, na verdade, muito mais de um alerta.
A Revista Science é uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo. É publicada pela Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS – sigla em inglês). Sua tiragem semanal é de 130 mil exemplares. Computadas as consultas on-line, estima-se que seus leitores cheguem a 1 milhão de leitores. Em recente artigo publicado por essa revista, “metade da população mundial pode sofrer com a falta de alimento até 2100 se nada for feito para adaptar a Terra ao aquecimento global”.
As áreas que serão mais fortemente atingidas são exatamente as regiões tropicais e subtropicais. É a nossa situação. Há probabilidade de aproximadamente 90% dessas regiões conviverem com temperaturas mais altas do que os recordes de calor do Século 20. A temperatura mais elevada poderá comprometer de 20% a 40% da produção das principais culturas, como milho e arroz. As mudanças no clima não costumam acontecer de uma hora para outra, mas, sim, lentamente. Por isso, parece que valha à pena levarmos em séria consideração os fenômenos a que estamos assistindo neste período do ano, em várias regiões.
Vejamos: chuvas por quase 90 dias seguidos em Santa Catarina (Vale do Itajaí Mirim), com os decorrentes desmoronamentos e deslizamentos, com mais 100 pessoas mortas; chuvas no Sul de Santa Catarina; estiagem no Rio Grande do Sul (nossa região e outras); excesso de chuvas em Minas Gerais e Rio de Janeiro, com morte de pessoas; secas e chuvas mal distribuídas em regiões do Nordeste brasileiro; calor sofrível em nossa região, mesmo após chuvas. Milho seco, soja sofrendo com o sol excessivamente quente.
Perda de grande parte de alimentos: trigo, milho, feijão, arroz etc. Alguma coisa de errado ou diferente está ocorrendo em nossas condições climáticas. E, como diz o artigo da revista Science, as condições climáticas desequilibradas têm relação direta com a produção de alimentos. Uma vez diminuída a oferta de alimentos, isto é, havendo mais gente e menos comida, sabemos que levará outro tanto de tempo para que o equilíbrio entre situações climáticas e produção e oferta e disponibilidade de alimentos demorará. E, quando nos dermos conta da situação, estaremos passando fome! Além disso, nós temos responsabilidade com as gerações futuras.
Um documentário filmado da Enciclopédia Britânica, intitulado No futuro, sobreviremos?, inicia dizendo que “a terra é um bem que os nossos filhos nos emprestam”. E, aí está nossa responsabilidade: entregar a terra às gerações futuras em condições de ser bem habitada.
Parece que o futuro já está aí! Os preços dos alimentos, que estão em alta, nos dizem isso.
pe. Nestor Adolfo Eckert, scj
naeckert@terra.com.br