No dia 3 de janeiro de 2009, às 23h18min, no buscador Google, demorei 0,24segundos para encontrar 4.120.000 resultados, clicando no item Grupo de Jovens (sem usar aspas!). Fico embasbacado e estarrecido com o número de significados, sentidos, sinônimos, entendidos que se apresentam somente neste buscador.
Por que fiz isso? Porque nesse dia acontecia um muito badalado Baile do Grupo de Jovens de São José do Inhacorá. Disseram-me que é um dos bailes grandes da região. Na parte da manhã, ouvi uma pequena declaração do líder desse grupo na Rádio Comunitária de Boa Vista do Buricá, dizendo que do lucro desse baile uma boa quantia em dinheiro destinava-se ao hospital do Município, porque ele (o líder, cujo nome é Éder) entendia que o grupo tinha uma função social. Esse é o fato. Como entendê-lo e interpretá-lo?Para quem viveu o fenômeno dos “Grupos de Jovens” na década de 1970, especialmente, a função dos grupos sempre foi sociorreligosa. Era a época em que os jovens passavam seus finais de semana cavando poços para que os empobrecidos pelo sistema tivessem acesso à água potável. Era a época em que os jovens percorriam os bairros ou as vilas ou as linhas e coletavam alimentos e roupas para as famílias necessitadas.
Qual era a grande marca diferente? Lia-se a Bíblia, rezava-se, meditava-se, refletia-se antes e, depois, ia-se à ação. Os grupos tinham uma característica muito fortemente religiosa e comunitária. E funcionavam todos os finais de semana. A comunidade reconhecia e valorizava os grupos porque a comunidade estava consciente da função social dos grupos. Sabia para que eles existiam. Não sei se hoje algum grupo de jovens, mesmo na noite Dia de Natal, reza antes de começar um baile...
Hoje ainda existem os chamados “grupos de jovens”, especialmente, nas comunidades rurais. Mas, se deixarem de existir, a comunidade, parece, que não sentirá sua falta! A comunidade sabe que quando se fala em reunião de grupo de jovens é porque há um baile em programação ou um passeio por uns três dias ou alguma festa especial em andamento.Entristecido, um jovem dizia-me que se ele convocar os jovens para uma festa, um baile, um passeio “aparece uma porção de gente. Mas, se convidar alguém para uma leitura na Missa, você quase não encontra ninguém”. Essa parece ser a realidade de muitos grupos. Não é culpa de jovens. Nem dos pais. A realidade mudou. Os tempos hoje são outros. A Igreja está oferecendo respostas para perguntas que os jovens não fizeram e não fazem. A comunidade tem outro jeito de viver e o “estilo antigo” do grupo de jovens hoje é outro. Mas, nem os próprios jovens de hoje perceberam e percebem essa realidade nova.
Os grupos nas comunidades continuam a existir como se fossem tipicamente religiosos, como foram. Na verdade, hoje são grupos sociais. Os jovens são bons. São “gente boa”. Mas, não sabem para que o grupo existe? Qual é sua verdadeira função?
Ao falar-se de “grupos de jovens” alguma coisa, necessariamente, tem de mudar. Os jovens, que sempre se mostram tão criativos, são provocados a encontrar um jeito novo e próprio de ser jovens. Os jovens da década de 1970/1980 foram extremamente ativos e respeitados e valorizados na comunidade. Eram militantes. E os grupos da década 2000, como se sentem, como se auto-percebem, como se auto-reconhecem? Existem para quê?
“Grupo de Jovens”: o que é isso, afinal de contas, hoje?
pe. Nestor Adolfo Eckert, scj
naeckert@terra.com.br