A paz está em guerra

by Portal DEHON Brasil 5. janeiro 2009 21:24

No dia Primeiro de janeiro, celebramos, sob o aspecto religioso, social, cultural, de convivência, de relações internacionais etc. o Dia Mundial da Paz. Ainda estamos necessitados de celebração, recordação e lembrança de paz. Se tudo e todos estivéssemos, de fato, em paz, não haveria necessidade de celebrações da paz. Tudo estaria em paz. Nós estaríamos todos em paz. Mas, não é esta a realidade que hoje vivemos.

Se o dia 11 de setembro de 2001 (ataque às Torres Gêmeas) marcou fortemente as relações entre os povos; se os meses de setembro e outubro de 2008, sob o aspecto financeiro, fizeram com o que mundo nunca mais fosse o mesmo (veja-se artigo do Nicaraguense, Juan Carlos Orejarena ARDILA, Los 60 días que cambiaron el mundo), então, o que está acontecendo? Houve e há e continuará a haver uma crise financeira que faz estremecer o mundo inteiro. Estremece de insegurança, de pavor, de medo, de incertezas... Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, disse que “a crise que sacudiu Wall Street [rua que existe em Manhattan e é considerada o coração do capitalismo financeiro] é para o capitalismo financeiro o equivalente ao que significou a queda do Muro de Berlim [noite de 9 de novembro de 1989]para o socialismo”.

O início de 2009 não apresenta cenário de otimismo para todos nós. Não podemos pensar em investimento e crescimento ou desenvolvimento, fazendo dívidas. Se tivermos algum dinheiro, temos de segurá-lo ou cuidar bem em como usá-lo, porque custará cada vez mais caro e será cada vez mais difícil o acesso a ele. É uma crise que atinge não apenas pobres ou empobrecidos. É crise que atinge, especialmente, aqueles que possuem dinheiro. Já aconteceram suicídios de gente que tinha muito dinheiro. Este tipo de comportamento continuará. Não é apenas uma época de mudanças a que estamos vivendo. Está acontecendo uma mudança de época!

Um membro da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Prof. Bernard Cantin, dizia em nossas aulas de “panorâmica mundial”: “Em nossos dias, não vivemos clima de paz. Não há paz entre as nações. Entre as diversas nações o que se verifica é um equilíbrio de terror!”.

É exatamente o que estamos verificando agora, por exemplo, entre as nações palestinas e os israelenses. Quando se chegará a uma situação de paz, ali? E a pergunta que não calar: a quem interessa que essa situação continue? Quem fomenta esse tipo de relações entre nações? Quem está ganhando e quem está perdendo, buscando um equilíbrio de terror, neste caso? E quem é o grande responsável pela instabilidade político-social, quase que programada, a que estamos assistindo entre as Nações Africanas?

Aqui, em nossa coluna, defendemos, desde o início, a tese de que “o novo nome da paz é desenvolvimento!”. Entendemos que “desenvolvimento” é todo conjunto de atividades das pessoas colocando no centro a pessoa, para que a vida possa ser mantida e bem vivida por todos na terra. Neste sentido, cada um de nós pode fazer alguma coisa para que a paz não esteja em guerra.

pe. Nestor Adolfo Eckert, scj
naeckert@terra.com.br

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