Logo após a Segunda Guerra Mundial (1937-1945), os dirigentes dos diversos países e das diversas nações reuniram-se e experimentaram uma sensação de depressão, desespero, impotência e “arrependimento” diante dos estragos e das perdas que viam por todos os lados: agricultura sem condições de produzir, as indústrias totalmente destroçadas, o comércio paralisado, o sistema financeiro falido, o desemprego, generalizado. A constatação que eles, inconscientemente, faziam vinha expressa numa exclamação de admiração: “O que fomos capazes de realizar!”
A única saída: reunir-se em situação de paz ou, ao menos, em situação pacífica, e tentar uma reconstrução do mundo e suas instituições. Houve diversas sugestões. Ao final, sobraram duas teses e dessas duas prevaleceu aquela que fez surgir, a partir daí, uma organização, uma sistematização da economia internacional. Isto é, a partir de agora, haveria regras para o funcionamento das diversas atividades. Por que isso? Porque muitos achavam que a economia estava totalmente livre, sem presença do Estado, sem regras, sem barreiras, sem linhas claras de ação e isso teria influenciado para gerar a situação ora vivida.
A partir dessa situação, surge o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), conhecido, depois, como Banco Mundial (BM). Junto com o banco surge o Fundo Monetário Internacional (FMI). Neste fundo todas as nações depositaram uma quantia de dinheiro, isto é, subscreviam a organização, estrutura e o funcionamento desse fundo. E, quando precisassem de recursos poderiam recorrer ao FMI. Receberiam os recursos sem juros. E, a terceira organização que foi criada, e aceita com reservas, foi o General Agreement on Trade and Tarifs (GATT) – Acordo Geral sobre Comércio e Tarifas. Nem todas as nações concordaram sobre as regras do GATT. Elas queriam que ele tivesse mais força. Até que em 1994, aconteceu a mudança e o GATT transformou-se em Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC tem poderes de fiscalização e de punição para aquelas nações que não seguem as regras estabelecidas. Isso para evitar, principalmente, protecionismos internos dos países mais ricos em relação aos mais pobres ou empobrecidos.
Hoje, em 2008 durante 2009 até, certamente, 2010 as nações todas estão novamente à beira de um colapso, de uma quebra geral. E, novamente, depois, perguntar-se-ão admirados: “Do que fomos capazes!” Há uma diferença: hoje a economia está baseada no aspecto financeiro. Faz-se dinheiro com dinheiro. E trabalha-se para isso: ganhar mais dinheiro. Para fazer o quê? O dinheiro só tem serventia se for para produzir bens que satisfaçam necessidades humanas básicas. As pessoas têm fome, necessitam vestir-se e morar bem, estudar e divertir-se. Mas, no sistema financeiro nada disso conta. O que conta é o aumento de recursos na conta bancária. Apenas para termos idéia: hoje há no mundo bens e serviços avaliados em aproximadamente 35 trilhões de dólares americanos. Mas, em valores (porque não é dinheiro que se pega nas mãos!) estima-se que haja mais de 110 trilhões em dólares americanos.
E é esse sistema que está causando os grandes problemas de hoje. Haverá uma quebradeira geral. A previsão é de que até antes da metade de 2009 teremos, no mundo, aproximadamente 270.000.000 (duzentos e setenta milhões) de desempregos! Supondo que cada pessoa empregada sustenta outras duas, teremos quase 900 milhões de pessoas sem os recursos para sobreviver. Basta acompanhar os números em países como Estados Unidos, França, Inglaterra, Japão, Canadá, fora os mais pobres!Que solução ou saída aparece para nós, pessoas trabalhadoras de nossa região? Em primeiro lugar, não contrair dívidas. O dinheiro ficará cada vez mais difícil de ser obtido. Nem comprar em prestações. Os aumentos vão acontecendo e nem somos avisados! Comprar apenas o estritamente necessário. Em segundo lugar: quem tem dinheiro, que o segure. Vamos precisar, e muito, dele.
Pe. Nestor Adolfo Eckert scj
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