Na edição passada deste periódico publicamos um texto, intitulado Aquecimento global e alimentos. Diversas pessoas comentaram conosco o texto e o assunto, mas, de modo especial, o Prof. Jaime Luís Eckert Huppes, enviou, por escrito, seu pertinente e inteligente comentário. Entre outras coisas, o Prof. Jaime diz o seguinte: “Li seu artigo sobre aquecimento global e alimentos. Concordo com a argumentação, mas um aspecto me deixa confuso (...) uma vez que acompanhei alguns artigos que defendem um resfriamento global. (...). Parece-me existir uma disputa de poder entre institutos de meteorologia”.
Amigo prof. Jaime, muito agradecido pelas observações. Na verdade, estamos de acordo sobre o problema de fundo: haverá falta de alimentos para as pessoas no futuro. Seja por aquecimento, seja por resfriamento do planeta.
O que tu dizes, ao final, infelizmente parece ser uma verdade: o futuro das pessoas pode depender da vaidade das pessoas encarregadas de passar verdades sobre a vida, sobre o planeta, sobre as condições climáticas, sobre o futuro, que está em nossas mãos. Algo cheira à irresponsabilidade. Disso, eu, pessoalmente, não tenho dúvidas. Até os meteorologistas estão à caça de publicidade e fama, à custa de vidas humanas. Sejamos muito críticos ao recebermos informações de tudo quanto é espécie. Infelizmente, a verdade é essa: alguém tem algum interesse ao divulgar alguma informação, seja do tipo que for.
Há, entre estudiosos, duas teorias (tentativas de explicação) ou teses (explicações provisórias) sobre o futuro das condições climáticas do planeta: aquecimento ou resfriamento. Hoje não se trata mais de adivinhações ou “previsões de futuro”, muito menos de “profecias”. Trata-se de verdades científicas, isto é, afirmações e informações verificáveis (tu afirmas algo e eu posso verificar isso que afirmaste), fidedignas (eu posso dar crédito a tudo o que tu afirmas), comprováveis (isto é, eu posso comprovar com os mesmos métodos o que tu afirmas).
E, parece-me que nesta última questão, na questão do método de coletar dados e informações, de cruzar esses dados e essas informações entre si, de como se constrói o conhecimento a partir dos dados e das informações disponíveis, é que reside o maior problema.
Nem todos os estudiosos são honestos, ao não esclarecerem de que premissas partem, de quais dados dispõem, de como analisam e interpretam os dados e a que conclusões chegam. E, com isso, são vítimas as pessoas que acreditam cegamente ou sem senso crítico nessas informações. Isso se assemelha ao crédito que se pode dar às previsões dos “horóscopos” (verdadeiras enganações programadas). Isso não se pode levar a sério, em hipótese alguma. Se alguém, por acaso, leva horóscopo a sério, por favor, pare imediatamente de ler este texto. Você é idiota e não sabe! Paga para ser enganado!
Voltando às questões climáticas e à falta de alimentos, a Revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), defende, em diversos artigos, a tese do resfriamento global. No Brasil, na AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS (ANA), discutem-se igualmente as duas teses. A tese do aquecimento como a do resfriamento. A diferença está em que a tese do resfriamento atribui menos culpa ao ser humano. Isso é discutível... Quem viver (se alguém sobreviver!), verá. E o poeta dirá novamente: “Meninos, eu vi”.
Pe. Nestor Adolfo Eckert, scj
naeckert@terra.com.br