Os idosos, meus mestres!

by Portal DEHON Brasil 28. março 2009 18:09
Houve época, na vida de cada um de nós, em que, se tivéssemos dúvidas ou quiséssemos matar curiosidades, ter certezas, resolver dúvidas, perguntávamos aos jovens. Eles “estavam por dentro”, “estavam na onda”, “tinham ginga”, ”entendiam das coisas” etc. Com o tempo, suas respostas ficavam vazias. Não resolviam nossas dúvidas e nossos inquietos questionamentos. Ficávamos a questionar e os jovens tinham o mérito de fazer com que nos questionássemos cada vez mais. Mas, resposta que era boa!, não vinha. E continuávamos inquietos. Particularmente, passei a ler livros sobre filosofia oriental. Assisti a filmes daquela maneira de viver, fundamentados na cultura Budista, na reflexão, no respeito a toda criatura, no escutar para depois falar... Eu estava à procura de algum mestre, sem saber que era isso que procurava! Um dia, as surpresas da vida me ofereceram a feliz e alegre, rica e grata oportunidade de lecionar uma disciplina na Universidade, intitulada “Antropologia Cultural”. Que descoberta! Que surpresa! Que riqueza! Que beleza! Eu estava achando um caminho... Depois de ler muitíssimo, não sei ao certo quantos livros “devorei, em um mês de férias na praia: uma hora na água, uma hora de caminhada, seis horas de sono. O resto do tempo (16 horas), leituras e leituras. Além disso, naquelas férias tive a felicidade de conviver (papeando e conversando, conversando e papeando, caminhando e papeando) com um ex-colega meu de estudos (o Mateus Buss, um alemão da gema!), que estava, fazia quatro anos, vivendo na África. Que escola aquela semana! Entre as descobertas provindas das leituras, dos papos, das reflexões pessoais, das  tentativas de sistematização e conclusões sobre as informações obtidas, uma coisa ficou clara: em todas as culturas das sociedades conhecidas, a pessoa idosa sempre foi respeitada, admirada, consultada, seguida, obedecida, amada e imitada. Quando as pessoas de certas sociedades começaram a não dar o devido valor à experiência dos idosos, a história de sua decadência começou. Isso entre os egípcios, entre os gregos, entre os romanos, entre os indígenas da América, da Oceania etc. Cientificamente, estava sendo mostrado e provado, com evidência e suficiência, com credibilidade e confiabilidade, para mim, de que as diversas culturas viam em seus idosos os verdadeiros mestres de vida. E admiravam-nos e os seguiam e imitavam ou tentavam imitá-los. E, as pessoas idosas passavam a serem vistas e a serem respeitadas como mestres e mestras.   E, hoje, em pleno ano 2009, fico a perguntar se aquelas leituras de há 20 anos, se aquelas conversas à beira do mar e ao som das ondas, se minhas reflexões e convicções eram puras alucinações? Fico intrigado e perplexo, embasbacado e “abobalhado” quando hoje vejo jovens que não querem nem ver, muito menos, conversar com “velhos”. Para muitos jovens, “os velhos estão ultrapassados e são babacas” porque não sabem iniciar o programa de um computador, porque não conseguem descobrir todas as potencialidades de um celular, porque se atrapalham para fazer funcionar um aparelho de CD, não entendem o que é “pen drive” etc. É covardia perguntar: mas, esses jovens sabem armar uma arapuca? Ou, antes, sabem o que é arapuca? Pulam em um rio e o atravessam-no a nado sem antes terem tido aulas caras de natação e respiração? Sabem distinguir quando o tempo está para chuva ou trará uma seca? Distinguem as fases da lua, apenas olhando para o céu sem uso de calendário lunar? Sabem o que significam as noites plenas de vagalumes e pirilampos? Sabem o que significa o canto das cigarras e o vôo das libélulas? A todas essas perguntas, meus queridos “velhos” têm respostas na hora. Conclusão de tudo: os idosos ou as pessoas idosas são meus mestres. Tento ser um humilde e aplicado aluno! Mas, ainda tenho muito a aprender. Queridas pessoas idosas: ensinem-nos o grande valor da vida! Estamos sem rumo... Por isso, fazemos barulho, gritamos, não conhecemos música clássica, não queremos escutá-los e, se for necessário, nós os desprezamos! Desculpem-nos! Somos apenas maus alunos que insistimos em não querer aprender com mamãe HISTÓRIA!  Pe. Nestor Adolfo Eckert,scjnaeckert@terra.com.br  

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