Natal: luzes? e luzes!

by Portal DEHON Brasil 19. dezembro 2008 10:39

Tomemos um helicóptero. Desses que não fazem barulho. Daqueles de geração do futuro. É possível ver tudo. Até os sentimentos das pessoas ele capta. Capta também alguns pensamentos. Vê os sonhos e os ideais. Nosso aparelho também perscruta e “adivinha” os sonhos das pessoas. Nossa viagem-vôo é em época de Natal. Ao menos, o calendário diz isso.

Nossa primeira parada acontece sobre as casas de um bairro muito chique, residencial e altamente urbanizado de uma cidade do Brasil. Tudo muito certinho e bem planejado. As casas são grandes e ajardinadas. Com altas cercas. Cães violentos, como protetores do patrimônio. Os vizinhos não conversam muito entre si. Tudo fechado e longe. Dentro de casa, champanhe e bebidas exóticas, vindas da Europa. As pessoas não se conhecem. Umas não sabem das vidas das outras. Mas, isso não parece importante.

Temos condições de observar muito bem duas famílias. Nas casas de ambas, muitas luzes de Natal. Das mais diversas cores e tonalidades, com estilos altamente diversificados. Iluminam as ruas, os pátios, os jardins. Parece que há uma disputa surda entre os vizinhos. Cada qual quer ter as LUZES mais interessantes e atraentes. Também as mais caras. Houve até quem quisesse um concurso para saber quem apresentaria a casa mais bem iluminada. As LUZES piscam e brilham, mas as pessoas estão distantes e apagadas. O que interessa é vencer a batalha das luzes. A concorrência está bastante forte. É importante não ir até a casa do vizinho. Ele é um concorrente. Ninguém pode humilhar-se e ir ao encontro do mais forte. O importante é disputar. Portanto, distância. Aproximar-se é sinal de fraqueza.

Nossa segunda parada, para apreciar festejos de natal, deixa-nos sobre um bairro esquecido e pobre. A população composta de imigrantes, não muito bem quistos. Não há casas. Apenas casebres cobertos com lonas pretas. Não há jardins. Apenas esgoto a céu aberto. Não se conhecem cães nem cercas nem muros. Todos estão bastante próximos uns dos outros. As pessoas estão confraternizando e conversando e rindo e brincando e festejando. O máximo que têm é uma cachacinha, vinda do boteco da esquina.

As crianças correm de um casebre a outro. Afinal, dois ou três conseguiram comprar um pisca-pisca em lojinha que vende tudo por R$ 1,99. Algumas já não acendem mais. Não faz mal. Estão acostumados a essas faltas... Mas, que festa. Gritos. Risos. Alegria. Vida. Esperança. Conversa. Muita conversa. Muita convivência. A fraternidade reina e impera. Nada se disputa. Em nada se concorre. Mas, todos vibram e riem. As “luzes”, pequeninhas, fracas, indicam que ali é NATAL.

De repente, na rua, aparece alguém diferente. Não é um deles. É todo mansidão. Bondade. Amor. Simplicidade ao extremo. Candura. Toda atenção de todos vai para ele. Quem será? O que quererá? Por quem estará procurando?

Um dos mais afoitos arrisca: “Podemos ajudar em alguma coisa?”.

A resposta vem imediata: “Estou procurando uma pousada. Já passei num bairro muito rico. Com casas muito iluminadas, com LUZES muito fortes e bonitas, mas ninguém quis me receber e ouvir. Ninguém teve tempo para mim. Parece que estão ocupados com um campeonato de luzes. Não se pode abrir a porta. Mas, aqui parece que não é assim. Vocês festejam e vivem. Estão alegres. Vocês se conhecem. Amam-se uns aos outros. Eu queria permanecer por aqui”.

 

E o Verbo de Deus se fez gente e morou entre os pobres, de poucas luzes.

Feliz Natal, Menino Jesus! Nós ainda vamos aprender.

pe. Nestor Adolfo Eckert scj

naeckert@terra.com.br

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