Os selvagens atentados de Bombaim mostram que o fundamentalismo constitui um desafio para a consciência de todo homem e mulher religiosos, considera o porta-voz da Santa Sé. "É horrível que no mundo de hoje a religião se mescle com a violência", declara o Pe. Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Informação do Vaticano. O sacerdote analisou os ataques terroristas que deixaram mais de 180 mortos, no editorial da última edição de «Octava Dies», jornal do Centro Televisivo Vaticano, do qual também é diretor.
"A gravidade letal e a evidente intenção de golpear o coração de um grande país recordaram o 11 de setembro em Nova York, assim como os ataques de Madri e Londres", começa reconhecendo o Pe. Lombardi. "As tensões e conflitos que há tempos a Índia vive são utilizados como elemento crítico para estender um incêndio ainda mais espantoso, cujas conseqüências são difíceis de imaginar, dadas as dimensões demográficas do sul da Ásia e de seu papel para o desenvolvimento mundial".
"A piedade e a dor pelas vítimas destes dias se intensificam pensando na dor imensa que insensatos e lúcidos agentes do ódio querem multiplicar para inumeráveis pessoas", acrescenta. "Para os crentes, a preocupação humana se une à religiosa – reconhece o porta-voz –. Recordamos a antiga tensão que levou à divisão entre a Índia e o Paquistão e as persistentes, e inclusive crescentes, correntes fundamentalistas não só no mundo islâmico mas também hindu".
"Há alguns anos na Índia estourou uma onda de violência antimuçulmana, recentemente assistimos à violência anticristã em algumas religiões".
"Em um país no qual a minoria muçulmana é de 140 milhões de pessoas, quais podem ser as reações a este ataque que se apresenta como de matriz islâmica?", pergunta o sacerdote. "O fundamentalismo é um dos riscos mais dramáticos da humanidade e desafia a consciência de todo homem religioso", assegura.
Recordando o grito de João Paulo II nos encontros de oração pela paz celebrados em Assis – "não se pode usar a violência em nome de Deus" – o Pe. Lombardi conclui: "a causa da paz, a causa do homem é a causa do verdadeiro Deus".
Texto: Zenit.org